Investigadores da FCUP efetuam ensaios pioneiros sobre radioatividade

Projeto "KADRWaste" visou o estudo de locais com potencial para receber um repositório para resíduos radioativos em Portugal. (Foto: DR)

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) esteve envolvida na realização dos primeiros ensaios experimentais de adsorção e desorção do urânio e do estrôncio alguma vez realizados em Portugal. A iniciativa inseriu-se no âmbito do projeto KADRWaste, que visou o estudo de locais com potencial para receber um eventual repositório para resíduos radioativos no nosso país.

O “KADRWaste” foi o primeiro projeto financiado pela Fundação da Ciência e Tecnologia (FCT) com o objetivo de desenvolver estudos detalhados dos mecanismos de adsorção e desorção de alguns metais pesados, actinídeos e radionuclídeos antropogénicos nas superfícies de nanomateriais naturais selecionados em Portugal. Parte desta investigação, centrada nos minerais argilosos e materiais compósitos, foi liderada pelo Centro de Geologia da Universidade do Porto (CGUP), em parceria com o Centro de Investigação em Química (CIQ-UP).

Dinamizado entre 2008 e 2012, este projeto – que contou ainda com a participação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, do Campus Tecnológico e Nuclear – Sacavém e da Universidade de Évora – centrou-se no apuramento da metodologia adequada à seleção e caracterização geológica e geoquímica de locais com potencial para receber um eventual repositório para resíduos radioativos de baixa e média atividade e de períodos de semi-vida curtos e longos (Low and Intermediate Level Wastes – Long-Lived and Short-Lived – LILW-SL,LL) em Portugal continental. Os resultados obtidos foram reconhecidos pela própria FCT, que avaliou o “KADRWaste” com um “Excelente”.

A equipa da FCUP foi constituída pelos docentes Iuliu Bobos (Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território) e Joaquim Esteves da Silva (Departamento de Química e Bioquímica). Destaque ainda para a participação  dos bolseiros Bruno Campos (Mestrado em Química), Eva Andrade (Mestrado em Ciências e Tecnologia do Ambiente) e Vanessa Guimarães (Mestrado em Química) que, por via do seu desempenho nos ensaios experimentais utilizando radiocésio, foram distinguidos com bolsas de doutoramento concedidas pela FCT, garantindo ainda colocação no Instituto Tecnológico e Nuclear – Sacavém.

  • MA

    Se é proibido lixo nuclear ser transportado para outros países por lei internacional. Se não temos centrais nucleares, para que serve esta investigação?

  • Pedro

    MA, se o critério de selecção dos tópicos de investigação científica ficasse adstrito à realidade portuguesa, hoje em dia não teríamos uma escola tão sólida e conceituada no plano internacional. Parabéns a estes investigadores.

    • MA

      Efectivamente esta “investigação”, nada tem a ver com a realidade
      portuguesa. Das duas uma: ou se está a investigar em Portugal para
      “aquecer” ou se está a mostrar que se está a fazer muito . O que
      felizmente, não é o caso da maioria dos nossos centros de investigação.
      Investigar, para um “repositório para resíduos radioactivos no nosso
      país” não é, nem de perto nem de longe racional, num país que não tem
      Centrais Nucleares, que não as terá nos anos mais próximos, porque nem
      dinheiro temos para fazer uma para além do tempo que leva a construção
      de uma central. A não ser que seja para a possibilidade de entrar
      clandestinamente material radioactivo, em Portugal, contra todas as
      normas internacionais. Assim, na minha opinião, parece uma investigação à
      partida condenada, dado o controlo internacional que existe neste meio
      de material radioactivo, e tendenciosa e, até, perigosa. A investigação
      pura ou aplicada também tem limites de racionalidade, em particular,
      quando temos investigadores de coisas bem mais úteis e que estão, neste
      momento, sem dinheiro para investigação no nosso país! Só não percebo
      como ainda se apoia ou se incentiva a investigação para um possível
      repositório radioactivo, para acolher lixo radioactivo, no nosso país.
      Haja paciência e que alguém nos proteja…

  • MA

    Pedro não leu bem a notícia ” A iniciativa inseriu-se no âmbito do projeto KADRWaste, que visou o estudo de locais com potencial para receber um eventual repositório para resíduos radioativos no nosso país.” Não temos centrais nucleares nem se prevê ter; o material radioactivo não pode ser depositado no nosso país, por lei internacional, e, ainda bem, porque não gostaria de viver num cemitério de lixo radiactivo ainda por cima porque nunca aceitámos ter uma central nuclear e …não percebo esta investigação, nem o gasto de dinheiro que bem podia ser canalizado para bem mais útil. Há tanto investigador neste momento sem verbas e nem percebo como se obteve… Lamento mas não concordo.

  • Nora Figueiredo

    Parabéns aos investigadores! Tema bastante pertinente e apropriado e que explora as potencialidades de nanomateriais naturais. Pura ciência…

  • MA

    Efectivamente esta “investigação”, nada tem a ver com a realidade portuguesa. Das duas uma: ou se está a investigar em Portugal para “aquecer” ou se está a mostrar que se está a fazer muito . O que felizmente, não é o caso da maioria dos nossos centros de investigação. Investigar, para um “repositório para resíduos radioactivos no nosso país” não é, nem de perto nem de longe racional, num país que não tem Centrais Nucleares, que não as terá nos anos mais próximos, porque nem dinheiro temos para fazer uma para além do tempo que leva a construção de uma central. A não ser que seja para a possibilidade de entrar clandestinamente material radioactivo, em Portugal, contra todas as normas internacionais. Assim, na minha opinião, parece uma investigação à partida condenada, dado o controlo internacional que existe neste meio de material radioactivo, e tendenciosa e, até, perigosa. A investigação pura ou aplicada também tem limites de racionalidade, em particular, quando temos investigadores de coisas bem mais úteis e que estão, neste momento, sem dinheiro para investigação no nosso país! Só não percebo como ainda se apoia ou se incentiva a investigação para um possível repositório radioactivo, para acolher lixo radioactivo, no nosso país. Haja paciência e que alguém nos proteja…