Investigadores da FCUP descobrem como retardar a doença de Parkinson

A doença de Parkinson é uma doença degenerativa, caracterizada pelo tremor do corpo quando os músculos estão em repouso. Estima-se que atinja mais de 20 mil portugueses. (Foto: DR)

Uma equipa de investigadores do grupo de Bioquímica Computacional da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) descobriu um conjunto de moléculas que, quando associadas a um determinado medicamento, podem ajudar a retardar a progressão da doença de Parkinson.

Grande parte dos fármacos são constituídos por pequenas moléculas, ingeridas oralmente num comprimido, cujo efeito é provocado ao ligarem-se a outras moléculas existentes no organismo – designadas “recetores” -, que originam doenças quando estão desregulados. No grupo dos recetores, encontram-se as enzimas, que são responsáveis por acelerar as reações químicas no organismo.

No caso da doença de Parkinson, a equipa da FCUP descobriu as moléculas que podem inibir uma enzima que acelera a degradação do  Levadopa, um fármaco que é utilizado no tratamento de escolha da Doença de Parkinson, particularmente nos seus estágios intermediários, e em pacientes acima dos 65 anos de idade.  “Desta forma, será possível retardar a progressão da doença”, explicou à agência Lusa Pedro Fernandes, docente e investigador do Departamento de Química e Bioquímica da FCUP e da Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas (UCIBIO) do laboratório REQUIMTE (UCIBIO@REQUIMTE).

Para realizar a  descoberta, a equipa de cientistas, da qual também faz parte a investigadora Maria João Ramos (FCUP, UCIBIO@REQUIMTE) recorreu a supercomputadores, capazes de pesquisar bases de dados com milhões de substâncias, num curto período de tempo (seis meses), e com um custo reduzido em relação aos laboratórios tradicionais. Neste momento, as moléculas encontradas estão já a ser testadas em laboratório numa colaboração com a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP), para confirmar se as previsões computacionais encontraram realmente a “molécula mágica”, explica Pedro Fernandes.

Apesar de os resultados serem promissores, a base para o desenvolvimento de um medicamento só surgirá depois de se verificar que as moléculas detetadas são mesmo as “perfeitas” para ajudar no tratamento de Parkinson. Este será, contudo, um “caminho longo”, que passará pela realização de testes em células animais e humanas, antes de o medicamento poder vir a ser aprovado para comercialização.

O grupo de Bioquímica Computacional da FCUP tem-se dedicado igualmente à descoberta de fármacos para a diabetes, a SIDA, o excesso de colesterol, o cancro e a hipertensão.

Os projetos desenvolvidos pelo grupo, iniciados em 2008, são financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pelo Programa Operacional Regional do Norte (Norte 2020).