Investigadores ajudam a reduzir mortalidade materna e infantil em África

O projeto MOMI decorre em quatro distritos de Moçambique, Quénia, Malawi e Burquina Faso.

Chama-se MOMI – Missed Opportunities in Maternal and Infant Health e pretende reduzir as taxas de mortalidade materna e infantil em África, através da melhoria da prestação de cuidados de saúde no período pós-parto. Este projeto internacional, que entra agora na sua fase de implementação no terreno, conta com a participação do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), através da presença de dois investigadores.

O MOMI é baseado na hipótese de que há várias oportunidades perdidas no que concerne aos cuidados de saúde prestados na altura do parto e do pós-parto. Estas oportunidades perdidas verificam-se em situações facilmente preveníveis e que de outra forma são geralmente causadoras de mortes, tais como hemorragias ou infeções (no caso das mães) ou em complicações surgidas de partos prematuros. Para colmatar estas oportunidades perdidas, os investigadores propõem um conjunto de intervenções, focado no período pós-parto (no caso das saúde das mães) e na saúde dos recém-nascidos e até ao seu primeiro ano de vida. A decorrer em quatro regiões de Moçambique, Quénia, Malawi e Burquina Faso, este projeto acaba de passar da fase de análise e diagnóstico para a fase de intervenção e implementação das medidas no terreno.

Uma das particularidades do projeto MOMI é, justamente, a metodologia das intervenções. Fortemente baseadas na investigação científica e no diagnóstico realizado, estas intervenções, em contraste com outros projetos, não estarão exclusivamente a cargo dos investigadores e profissionais de saúde estrangeiros mas serão entregues aos serviços de saúde locais. Esta metodologia de ação permite alavancar o desenvolvimento regional e faz prever que as práticas e os sistemas de saúde locais saiam fortalecidos, uma vez que os contextos específicos são levados em conta e as soluções surgem dos recursos existentes.

Para além do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, este projeto conta ainda com dois parceiros europeus e mais cinco parceiros africanos.

Recorde-se que as taxas de mortalidade materna e infantil são indicadores fiáveis do desenvolvimento social de um país e da eficiência das suas estruturas e sistema de saúde. Em Portugal (segundo dados de 2011 fornecidos pelo INE), estima-se que haja 5.2 óbitos de mães por cada 100 mil partos. Nos quatro países africanos em que este projeto decorre, dados recentes apontam para que este número oscile entre os 294 e os 675 óbitos (no Quénia e Malawi, respetivamente) por cada 100 mil partos.

Sobre o ISPUP

O Instituto de Saúde Pública da U.Porto é uma associação privada sem fins lucrativos, fundada no seio da Universidade do Porto. Dedicado à investigação e formação na área da Saúde Pública, o ISPUP conta com 15 unidades de investigação em seis grandes áreas: Epidemiologia, Nutrição e Obesidade, Bioestatística, Saúde e Sociedade, Saúde Ambiental e Saúde Pública Veterinária. A atividade deste Instituto mobiliza mais de 200 pessoas, com mais de 90% destas dedicadas apenas a atividades científicas e de ensino.