Investigadoras da FEUP vencem Prémio Mantero Belard 2017

Maria do Carmo Pereira e Joana Loureiro são investigadoras do Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia  da FEUP. (Foto. FEUP)

Maria do Carmo Pereira e Joana Loureiro, investigadoras do Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE) da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) foram distinguidas com o Prémio Mantero Belard 2017, promovido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

O prémio, no valor de 200 mil euros, foi atribuído a uma equipa multidisciplinar liderada pelo Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, da qual também fazem parte a FEUP, o Centro da Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra e o Institute of Biomedicine da University of Eastern Finland. Segundo as investigadoras da FEUP, o galardão atribuído a este consórcio vem “reforçar a necessidade crescente de conjugar a engenharia à área da medicina”.

O projeto vencedor, intitulado “Nova estratégia terapêutica e novo biomarcador para a doença de Alzheimer baseados na clivagem do receptor do BDNF” visa a descoberta de uma nova metodologia para o tratamento da doença de Alzheimer.

Apesar de ainda não existir cura para a doença de Alzheimer, acredita-se que esta esteja relacionada com a alteração da conformação e acumulação de um péptido no cérebro, o peptído beta amiloide (Aβ). Depois de ocorrer este fenómeno é muito difícil reverter o processo.

O fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), através da ativação de seu receptor completo TrkB-FL, regula a sobrevivência neuronal. Descobriu-se que o péptido Aβ induz a clivagem dos receptores TrkB-FL originando dois fragmentos: um novo receptor truncado (TrkB-T’) e um domínio intracelular (TrkB-ICD).

No projeto agora distinguido, os investigadores apresentam como hipótese que a clivagem dos recetores de TrkB-FL pelo péptido Aβ contribua para a permanência da toxicidade do Aβ, não só por induzir uma perda de neuroprotecção endógena, mas também por causar um ganho de função tóxica que deve ser interrompido para prevenir a neurodegeneração contínua.

Desta forma, um dos objetivos do projeto consiste em encapsular em lipossomas (veículo) uma molécula que seja capaz de prevenir a clivagem do TrkB-FL. Desta forma, os lipossomas podem ser direcionados para o cérebro (local onde ocorre este mecanismo patológico), transportando o novo fármaco e evitando assim a progressão da doença. Este veículo será desenvolvido na FEUP, e posteriormente testado em modelos animais.