Investigadora do i3S premiada por projeto sobre doença inflamatória intestinal

Salomé Pinho é a primeira investigadora portuguesa a ser premiada pela IOIBD. (Foto: i3S)

A investigadora Salomé Pinho, líder do grupo «Immunology, Cancer & GlycoMedicine» do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), foi distinguida pela Organização Internacional para o Estudo das Doenças Inflamatórias Intestinais (IOIBD) – a única a nível mundial dedicada a estas doenças crónicas e incapacitantes do trato gastrointestinal – com o financiamento para um projeto inovador que visa desenvolver novas metodologias para identificar as causas da doença. O objetivo final é avançar com estratégias de diagnóstico precoce e de prevenção da doença.

A IOIBD, que reúne médicos e cientistas da Europa, EUA, Canadá, África do Sul, Austrália, Hong Kong, Israel, Japão, Nova Zelândia e América do Sul, tem como missão promover, a nível mundial, a saúde das pessoas com Doença Inflamatória Intestinal (Doença de Crohn e Colite Ulcerosa), definindo as orientações para a assistência ao doente, educação e investigação. Uma das suas formas de ação é financiar projetos inovadores e ensaios em larga escala, com o objetivo de, a longo prazo, contribuir para a clarificação das causas dessas doenças e para o desenvolvimento de um tratamento causal e curativo.

Para Salomé Pinho, a distinção da IOIBD – a primeira atribuída pela organização a um investigador português – é por isso “sinónimo de reconhecimento internacional do trabalho que temos desenvolvido. Este projeto é inovador e reúne o know how científico de dois grupos de investigação complementares, o grupo que lidero no i3S e um grupo de investigação americano do Hospital Mont Sinai em Nova Iorque, liderado por uma referência mundial na área da Doença Inflamatória Intestinal, o Prof Jean-Frederic Colombel”, acrescenta.

A investigadora adianta ainda que “este projeto vai permitir o desenvolvimento de técnicas e metodologias inovadoras que serão utilizadas para caracterizar uma população única a nível mundial de doentes com Doença Inflamatória Intestinal com o objetivo de identificar mecanismos causais da doença e, desta forma, encontrar novas estratégias de prevenção do desenvolvimento da doença”.

Já Jean-Frederic Colombel, médico Gastrenterologista e diretor do Centro Clínico e de Investigação de Doenças Inflamatórias Intestinais da Icahn School of Medicine at Mount Sinai (Nova Iorque, EUA), mostra-se “entusiasmado com o início desta colaboração com o grupo da investigadora Salomé Pinho, dada a sua experiência internacionalmente reconhecida em processos de glicosilação. Os nossos resultados mais recentes apontam para a possível implicação da via da glicosilação nos estadios iniciais da doença de Crohn. Esta colaboração pode levar-nos a descobertas inovadoras a nível de prognóstico e eventualmente de prevenção desta doença devastadora», sublinhou

Recorde-se que um dos marcos científicos do grupo de investigação liderado por Salomé Pinho foi a realização de estudos pioneiros que permitiram a identificação de uma deficiência num açúcar (carbohidrato ou glicano) dos linfócitos T do intestino dos doentes com Doença Inflamatória Intestinal. A equipa demonstrou que esta deficiência num açúcar está associada à hiper-ativação da inflamação intestinal, o que lhes tem permitido o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas e novos biomarcadores de prognóstico da doença. Estas descobertas foram recentemente publicadas em duas revistas de elevado impacto científico internacional: Proceedings for the National Academy of Sciences e Journal of Crohns and Colitis.