Investigador do ISPUP cria plataforma que apoia médicos a prescreverem exercício físico

A plataforma, desenvolvido no âmbito do Programa Diabetes em Movimento, apoia os médicos a prescrever exercício físico aos doentes com diabetes tipo 2.

Romeu Mendes, investigador da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUNit) do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), liderou uma equipa de investigadores que criou uma plataforma online que apoia os médicos, especialmente dos Cuidados de Saúde Primários, a prescreverem exercício físico aos doentes com diabetes tipo 2.

Sabe-se que o sedentarismo, a obesidade e o envelhecimento são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e que os médicos podem desempenhar um papel importante no aumento dos níveis de atividade física e na redução do sedentarismo dos seus utentes.

Foi neste contexto que surgiu a ideia de se criar uma plataforma digital para apoiar os médicos a prescreverem exercício físico aos utentes portadores desta doença crónica.

Criada em 2016, no âmbito do programa comunitário Diabetes em Movimento®, a plataforma “permite aos médicos construírem um programa personalizado de exercício físico, a partir de uma base de dados de exercícios de vários tipos, apoiada por vídeos e fotografias a ilustrarem as diversas estratégias”, refere Romeu Mendes.

Os profissionais de saúde podem, ainda, editar parâmetros de prescrição como a frequência semanal, duração, número de séries, repetições e intensidade do exercício, assim como ajustar a dose de insulina nos dias em que o utente irá praticar atividade física.

O programa de exercício final pode ser impresso para entregar ao utilizador ou enviado por e-mail num ficheiro em formato pdf, como se de uma receita de estilo de vida se tratasse”, acrescenta o investigador.

Apesar de ter sido inicialmente pensada para doentes com diabetes tipo 2, a plataforma pode ser usada para apoiar a prescrição de exercício para qualquer pessoa, especialmente no contexto da prevenção e tratamento das doenças crónicas não transmissíveis. A sua utilização é gratuita, mas reservada a médicos registados em Portugal.

A plataforma digital deu origem a um artigo publicado na revista Bristish Journals of Sports Medicine no passado dia 20 de junho de 2017.