Investigador do i3S premiado pela Sociedade Europeia de Hematologia

Delfim Duarte é investigador do i3S, docente da Faculdade de Medicina da U.Porto e interno de Hematologia no IPO-Porto. (Foto: DR)

O investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), Delfim Duarte, foi recentemente distinguido pela Sociedade Europeia de Hematologia (SEH) com um prémio de 160 mil euros. O projeto vencedor tem como objetivo explorar o papel do ferro na leucemia mielóide aguda, desenvolver novas terapêuticas e conseguir aumentar a qualidade de vida destes doentes oncológicos.

Segundo o investigador, que é também docente da Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP) e interno de Hematologia no IPO-Porto, a leucemia mielóide aguda (LMA) “é uma doença agressiva, com opções terapêuticas limitadas. No meu trabalho anterior observei que as células de LMA destroem seletivamente os vasos sanguíneos adjacentes ao osso, no chamado microambiente, o que promove não só a quimiorresistência das células de LMA, assim como a perda de células do sangue não malignas, o que causa anemia, sangramento e infeções nestes doentes. Os nossos resultados preliminares sugerem que o ferro poderá ter um papel importante na alteração do microambiente na LMA e contribuir para a agressividade da doença”.

Para explorar o papel do ferro, e mais concretamente esta hipótese, Delfim Duarte irá utilizar amostras de doentes do IPO-Porto com LMA e modelos pré-clínicos de ratinho de LMA.

O prémio atribuído pela SEH, denominado «EHA Physician-Scientist Research Grant», é dirigido a médicos investigadores a nível europeu. Para o investigador do i3S representa também “a oportunidade de conciliar a prática clínica no IPO-Porto com a investigação no i3S. Aqui faço parte de um grupo dedicado ao estudo da biologia do ferro (Basic and Clinical Research in Iron Biology) dirigido pela Prof. Graça Porto e esta grant permite-me não só executar o projeto como também contratar um investigador”.

Ser distinguido pela European Hematology Association, acresenta o investigador, “é um marco na minha carreira científica e permite-me explorar as minhas próprias questões e atingir independência como investigador. Ser médico e fazer investigação básica / de translação é muito desafiante e existem poucas oportunidades nesta área. A EHA potencia esta opção na área da Hematologia”.

Delfim Duarte foi também recentemente distinguido com uma menção honrosa pelo júri do prémio «Rui Osório de Castro/Millennium bcp» pelo seu projeto sobre «O papel da inflamação no microambiente da leucemia linfoblástica aguda de células T», realizado em colaboração com investigadores do Imperial College London e do instituto WEHI (Melbourne). Neste caso, o investigador propõe-se estudar as «citocinas pró-inflamatórias que poderão estar envolvidas na remodelação do microambiente da medula óssea na leucemia linfoblástica aguda T (LLA-T), uma leucemia que ocorre mais frequentemente em idade pediátrica e que quando recidiva tem mau prognóstico e opções terapêuticas limitadas». O targeting destas citocinas, explica Delfim Duarte, «poderá ter implicações terapêuticas quer no tratamento da LLA-T quer na prevenção de complicações que surgem mais tarde na vida dos sobreviventes de leucemia».