INESC TEC desenvolve robôs autónomos para explorar minas inundadas na Europa

Os sistemas vão ser validados em minas com condições exigentes: a mina de urânio Urgeiriça em junho de 2018 (Viseu, Portugal), crédios foto: Público

O Explorador Robótico UX-1 vai ser testado em Portugal em junho de 2018 na mina de urânio da Urgeiriça. Créditos foto: Público.

Cinco milhões de euros financiados pela Comissão Europeia vão servir para construir os primeiros robôs do mundo capazes de operar no subsolo, de forma totalmente autónoma, sem controlo remoto. O objetivo deste sistema robótico submersível é estudar e explorar minas terrestres inundadas e vai ser testado em Portugal, na Finlândia, na Eslovénia e no Reino Unido.

O sistema Explorador Robótico (UX-1) que vai ser desenvolvido pretende, de forma autónoma, fazer um mapeamento 3D da mina de modo a recolher informação geológica valiosa que não pode ser obtida de outra forma. Isto porque, geralmente, os segmentos inundados das minas estendem-se até grandes profundidades e o acesso é demasiado perigoso para mergulhadores humanos.

Um sistema de robôs múltiplos com base em UX-1 representa uma tecnologia inovadora, apenas possível graças aos recentes desenvolvimentos na área da autonomia.

“Para construir esta classe completamente nova de robôs enfrentamos grandes desafios ao nível da investigação, que se prendem não só com a miniaturização e adaptação de tecnologia robótica de mar profundo a um novo ambiente de aplicação, mas também no que diz respeito à exploração completamente autónoma de ambientes complexos e à interpretação de grandes volumes de diferentes dados geocientíficos”, explica José Almeida, investigador do INESC TEC e docente no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP).

Os sistemas vão ser validados em minas com condições exigentes: a mina de urânio Urgeiriça em junho de 2018 (Viseu, Portugal), a mina de feldspato/quartzo Kaatiala em março de 2018 (Finlândia) e a mina de mercúrio Idrija em outubro de 2018 (Eslovénia).

A demonstração final terá lugar no Reino Unido, em abril de 2019, com o primeiro estudo da mina de cobre Deep Ecton, submersa quase na totalidade e inacessível há mais de 150 anos.

“Este último teste vai permitir demonstrar a escalabilidade do sistema, pode ser utilizado em missões de pequena ou larga escala, aumentando o número de drones mobilizados e suportando a cooperação de múltiplos robôs em espaços 3D confinados através de processamento sensorial e fusão de dados em tempo real para uma navegação e comunicação fiáveis”, esclarece o investigador.

O desenvolvimento do UX-1 irá abrir novos cenários de exploração para que possam ser tomadas decisões estratégicas ao nível da reabertura das minas abandonadas na Europa – sendo que muitas delas albergam matérias-primas cruciais – já que esta pode agora ser suportada por dados reais que não podem ser obtidos de outra forma.

No total são 13 organizações de sete países europeus (Portugal, Hungria, Eslovénia, Finlândia, Espanha, Reino Unido e França) que estão a colaborar com este projeto financiado pelo programa de investigação europeu Horizonte 2020. Em Portugal participam, além do INESC TEC, a Geoplano (GEOP) e a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM).