INEB “exporta” simulador de última geração para treinos de obstetrícia

Simulador tem como função apoiar a formação avançada de equipas hospitalares na resposta a complicações agudas da gravidez e do parto.

À primeira vista não é mais do que uma boneca com a forma de uma grávida em tamanho real, mas pode conter a resposta para solucionar complicações agudas da gravidez e do parto, e assim salvar vidas. Assim se apresenta o CAE Fidelis Maternal Fetal Simulator, um simulador de última geração para treinos de obstetrícia desenvolvido por uma equipa do Instituto de Engenharia Biomédica (INEB)) da Universidade do Porto, recentemente apresentado no maior congresso mundial de simulação médica, que decorreu em S. Francisco, Estados Unidos.

Liderado por Diogo Ayres de Campos, professor da Faculdade de Medicina do Porto e coordenador do grupo do INEB,  o projeto que conduziu a esta tecnologia inovadora “made in Portugal” resultou de uma parceria com a empresa canadiana CAE Healthcare, produtora dos simuladores de voo da Boeing e da Airbus.  “A empresa tem financiado a investigação necessária ao desenvolvimento do software do simulador”, esclarece  o docente, adiantando que, aquando da comercialização do equipamento, o contrato estabelecido “prevê um pagamento pelos direitos de propriedade intelectual”.

Com a apresentação pública, o simulador passou a estar comercialmente disponível, representando, por isso, mais um exemplo da capacidade de transferência de conhecimento entre a academia portuguesa e a indústria do sector.

Na prática, o equipamento –  constituído por manequins interativos, incluindo parturiente e feto com simulação da passagem através do canal de parto, da respiração e voz maternas, bem como dos sinais vitais da mãe e do feto – tem como objetivo aumentar o realismo do treino e formação avançada de equipas hospitalares na resposta a complicações agudas da gravidez e do parto. “A raridade de algumas destas complicações dificulta a acumulação de experiência na sua resolução, sendo necessário recorrer ao treino regular com simuladores para manter uma capacidade de resposta optimizada”, esclarece Diogo Ayres de Campos.

De acordo com o investigador, a responsabilidade da equipa da U.Porto esteve “no desenvolvimento do software do simulador, no desenho dos cenários médicos de treino, e em toda validação clínica do equipamento”. Já a CAE Healthcare assumiu a produção do manequim e, a partir de agora, a comercialização do simulador.