Ideias «made in» U.Porto entre as melhores do Norte

Ideias premiadas privilegiaram a saúde e o bem-estar e a sustentabilidade ambiental. (Foto: DR)

Uma barra alimentar feita à base de insetos, uma solução low cost para promover o ambiente nas cidades, uma solução inovadora para “entregar” fármacos e uma iogurteira ecológica. Todas estas ideias nasceram da mente de investigadores e antigos estudantes da Universidade do Porto e estão entre as oito distinguidas pela Associação Empresarial do Porto (AEP) com a edição 2018 do Prémio Norte Empreendedor, iniciativa que reconhece anualmente as melhores ideias de negócios com origem no Norte de Portugal.

Estávamos em 2015 quando Guilherme Pereira começou a trabalhar no “Desenvolvimento de uma barra energética à base de proteína de inseto”, título do projeto de fim de curso do então finalista da licenciatura em Ciências de Engenharia – Perfil em Engenharia Alimentar da Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP). O que começou por ser um desafio lançado por Luís Miguel Cunha, docente no Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território da FCUP e também investigador no Green UPorto, acabaria por dar origem a uma startup – a Portugal Bugs  –  e à ideia de negócio “Peanut&Honey Ento Bar – Produção de barra alimentar incorporando insetos”.

Alinhado com as mais recentes tendências das sociedades ocidentais, o projeto de Guilherme Pereira propõe a incorporação de insetos  na produção de uma barra alimentar, o que constitui uma alternativa ecologicamente sustentável à carne animal e fonte de proteica equivalente. A iniciativa ganha ainda maior relevo face à nova legislação europeia sobre Novos Alimentos, em vigor desde janeiro deste ano.

De insetos e alimentos faz-se também a proposta de Miguel Leal, licenciado em Ciências Aquáticas pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), fundador da PrimaLynx e mentor da Yogurtnest, uma iogurteira doméstica que dispensa o uso de embalagens plásticas. Em vez disso, esta iogurteira inspirada nas colmeias das abelhas é feita em materiais naturais e renováveis — como a cortiça e o algodão — e apresenta-se como uma alternativa saudável, económica e sustentável às iogurteiras convencionais.

Sem insetos mas igualmente atual é a ideia que Hugo Baganha tem para tornar as cidades mais inteligentes e, desta forma, mais amigas do ambiente. Nome? iCities O que é? Uma plataforma interativa capaz de apresentar indicadores ambientais, tais como poluentes atmosféricos, ruído, gestão de fluxos, entre outros, em tempo-real, através da instalação de sensores low-cost em estruturas públicas ou privadas. Objetivos? “Fomentar a competição saudável entre municípios, ajudar à gestão inteligente das mesmas e fomentar um turismo consciente das questões ambientais”, apresenta o Mestre em Engenharia do Ambiente pela Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP).

Foi ainda durante o último ano de curso (2016/17) que surgiu a ideia, no âmbito da dissertação de Mestrado de Hugo a propósito do tema “Modelo de Calibração para Sensores ‘Low-Cost’ na cidade do Porto”, e que contou com o apoio da orientadora – Cecília Rocha, docente do Departamento de Engenharia Civil da Secção de Planeamento do Território e Ambiente e também membro investigador do Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente da Universidade do Porto pela FEUP.  Assim que terminou a graduação, em outubro de 2017, Hugo Baganha juntou-se a Pedro Ribeiro e a Catarina Carvalho e lançou a start-up Smart Advice, no seio da qual nasce então a proposta vencedora.

A última ideia premiada nasceu nos laboratórios do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto. É ali que Cláudia Azevedo pretende “ avaliar a possibilidade de novos fármacos, que a indústria farmacêutica ou centros de investigação desenvolvam, serem absorvidos oralmente, utilizando um modelo de intestino que simula o intestino humano”. O projeto, integrado no doutoramento da investigadora, conta com supervisão de Bruno Sarmento, líder do grupo de investigação em Nanomedicines & Translational Drug Delivery, e envolve ainda com participação das investigadoras do i3S Andreia Almeida e Helena Macedo.

Os quatro projetos “made in U.Porto” distinguidos com o Prémio Norte Empreendedor 2018 foram selecionados entre as centenas de ideias que participaram nas sessões coletivas de “mentoring” e “coaching” que a AEP levou a cabo, ao longo dos últimos dez meses, em todas as oito subregiões NUT III nortenhas, no âmbito do projeto Novo Rumo a Norte. A iniciativa culminou a 17 de abril, com a apresentação das 24 ideias finalistas e o anúncio das oito propostas vencedoras, cada qual distinguida com 5 mil euros.

A entrega dos galardões teve lugar na Casa da Arquitetura, em Matosinhos. (Foto: DR)