IBMC no centro do combate às doenças tropicais

Reunião doenças tropicais no IBMC

Investigadores vão debater estratégias que possam conduzir à descoberta de novos fármacos contra a Leishmaniose, a Doença do sono e a Doença das Chagas.

O Instituto de Biologia Molecular Celular da Universidade do Porto (IBMC) foi o espaço escolhido para acolher, durante a semana de 15 a 19 de setembro, uma série de eventos que reúnem especialistas internacionais em três doenças tropicais – Doença do sono, Doença de Chagas e Leishmaniose. – que na Europa são consideradas raras.

Patrocinadas pela União Europeia, as três reuniões agendadas vão juntar à mesma mesa cerca de 60 especialistas de 13 países europeus e de países onde as doenças provocadas por tripanossomas são um flagelo. O ponto alto acontece esta quarta-feira, dia 17 de setembro, quando os membros de quatro consórcios internacionais se juntarem para coordenar forças no combate a estas doenças.

Segundo Anabela Cordeiro da Silva, coordenadora de um grupo investigação em Leishmaniose no IBMC e responsável pelo conjunto de eventos, “reuniram-se as condições ideais para que quatro consórcios internacionais financiados pela União Europeia se encontrassem neste momento, no Porto”. A principal razão é o facto da equipa liderada pela investigadora ser membro de dois destes consórcios, situação que garantiu a vinda de aproximadamente um milhão de euros para a investigação realizada por este grupo no IBMC, em Portugal.

Imagem de microscopia, por imunofluorescência, de células dendríticas infectadas com o parasita Leishmania infantum

Imagem de microscopia, por imunofluorescência, de células dendríticas infectadas com o parasita Leishmania infantum.

Os dois consórcios onde a equipa de Anabela Cordeiro da Silva participa – o NMTrypI e o KINDReD – têm objectivos comuns, mas estratégias complementares, no desenvolvimento de novos fármacos que possibilitem o combate a estas doenças. O primeiro é liderado pela Universidade de Universidade de Módena e Reggio Emília, em Itália, e o segundo por uma empresa de biotecnologia, a Photeomix. “O momento mais significativo destes encontros será o Synergy Meeting que decorre no dia 17, em que mais dois outros consórcios se juntam para debatermos em conjunto os avanços conseguidos durante o primeiro ano”, adianta a investigadora.

Ainda de acordo com a cientista portuense, “o principal motor destes consórcios é a descoberta de novos fármacos contra estas doenças, o que será o centro da discussão”. Ao todo, serão cerca de 60 especialistas de centros de investigação e empresas europeias, bem como de países onde estas patologias têm maior incidência, como é o caso do Sudão, do Brasil e da Índia.

Segundo as estimativas, 200 milhões de pessoas vivem em países de risco para a Leishmaniose, onde se incluem os do Sul da Europa. Em Portugal são conhecidos focos importantes da infecção em animais mas raramente em humanos. Nada comparável com 12 milhões de casos registados em todo o mundo, com cerca de 1,5 milhões de novos casos e 50 mil mortes registadas a cada ano. Já a doença do Sono e a doença de Chagas têm incidência residual na Europa e devem ocorrência a fluxos migratórios de países onde estas doenças são endémicas. No entanto são um real problema nas economias emergentes da América do Sul, África e Ásia.