i3S recebe donativo para investigar o cancro pediátrico

O projeto de investigação distinguido propõe-se caracterizar cancros pediátricos do sistema nervoso central. (Foto: DR)

A organização do «Projeto-concerto solidário Liberdade para Crescer», que se realizou no passado dia 25 de abril, na Casa da Música, atribuiu  um donativo no valor de 8 mil euros ao Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Universidade do Porto (i3S/Ipatimup) para a criação da primeira “Bolsa de Investigação Liberdade para Crescer”, que visa apoiar um projeto de investigação em cancro pediátrico.

Esta verba destina-se especificamente a financiar a caracterização genética dos tumores das crianças e a adaptação das terapias às especificidades de cada doente e está já a ser desenvolvida por uma equipa que envolve dois grupos de investigação do i3S e colaboradores da área da neuro-oncologia pediátrica do Hospital de S. João.

A Gala solidária «Liberdade para Crescer» foi organizada pelo Lions Clube Boavista, pelo grupo Ensemble Vocal Pro Musica e pela escola de música «West Windsor Plainsboro North High School », de Nova Jersey (EUA). Esta escola, adianta Anabela Caldevilla, do Lions Clube Boavista, no Porto, «trouxe a Portugal 90 jovens com menos de 18 anos. Foi um concerto fantástico». «Para nós é muito importante atribuir este donativo a um projeto que tem impacto clínico, ou seja, que que tem aplicação direta no tratamento de crianças», sublinha Pedro Ubaldo Gomes, do grupo Ensemble Vocal Pro Musica.

No i3S, o projeto de investigação contemplado está a ser desenvolvido em dois grupos de investigação – «Cancer Signalling & Metabolism» e «Genetic Dynamics of Cancer Cells» – e é liderado pelo investigador Jorge Lima que trabalha em estreita colaboração com o Hospital de S. João, no Porto, mais especificamente com a oncologista pediátrica Maria João Gil da Costa e os patologistas Roberto Silva e Jorge Pinheiro.

Este projeto de investigação propõe-se caracterizar cancros pediátricos do sistema nervoso central, nomeadamente gliomas, relativamente ao tipo de alterações genéticas. «Uma maior e melhor compreensão da biologia dos gliomas permite que sejam tomadas decisões clínicas mais informadas e, desta forma, seja possível otimizar o tratamento e a sobrevida deste grupo de doentes», explica Jorge Lima.

O apoio que agora recebemos, salienta o investigador do i3S, «vai-nos permitir continuar a fazer uma melhor caraterização genética dos tumores de crianças, recorrendo, por exemplo, a técnicas de vanguarda de sequenciação do genoma humano. Esta informação pode ser muito útil para a adequação e desenvolvimento de terapias mais apropriadas para a faixa etária pediátrica, nomeadamente através da identificação de novos alvos terapêutico prevalentes neste grupo de tumores».

As aplicações deste estudo, adianta o investigador, «podem ser imediatas, quando os alvos terapêuticos identificados correspondam a fármacos já disponíveis. Ou seja, algumas crianças podem beneficiar diretamente dos resultados dos estudos e receber novos tratamentos através das consultas». A nossa expectativa, conclui Jorge Lima, «é que o conhecimento adquirido neste estudo em gliomas possa servir como modelo para aplicar noutros tipos de cancros de crianças».