Há menos crianças e jovens com cáries dentárias em Portugal

O estudo em que participou o investigador da EPIUnit do ISPUP, Paulo Melo, foi publicado na revista “Community Dental Health”. (Imagem: Pixabay/woodypino)

As crianças de 12 anos e os adolescentes de 18 apresentam menos cáries dentárias, segundo um estudo publicado na revista “Community Dental Helth”, que contou com a participação de Paulo Melo, investigador da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP). Apesar dos bons resultados, que demonstram a importância do programa cheque-dentista, o artigo alerta para a necessidade de se criar uma estratégia mais eficaz de intervenção nas crianças até aos 6 anos de idade.

A investigação, inserida no âmbito do “III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais”, foi desenvolvida com o objetivo de avaliar a prevalência e as necessidades de tratamentos dentários nas crianças e nos adolescentes portugueses, com o intuito de se delinearem programas estratégicos promotores da saúde oral junto destas populações.

O estudo avaliou 3.710 crianças e jovens com 6, 12 e 18 anos, pertencentes a Portugal Continental e às regiões autónomas. Os participantes foram examinados e responderam a um questionário que tinha em vista obter dados sociodemográficos e conhecer os seus hábitos de higiene oral e alimentares.

Os resultados mostram que a percentagem de crianças e jovens de 6, 12 e 18 anos com cáries dentárias foi de 45,2%, 47% e 67,6%, respetivamente, o que demonstra uma diminuição relativamente aos dados do II Estudo Nacional realizado em 2006.

Paulo Melo, investigador da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP, é um dos autores do artigo designado “Caries prevalence and treatment needs in young people in Portugal: the third national study.” (Imagem: Todos os Direitos Reservados)

Os autores constataram que o número médio de dentes atingido por doença no grupo de jovens com 12 anos é baixa (1,18 dentes por criança), tendo sido já ultrapassado o objetivo para 2020 definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a prevalência da doença nesta idade. Também o padrão de saúde oral dos jovens de 18 anos revela níveis de doença moderados, abaixo das expectativas dos investigadores.

Os dados evidenciam que a percentagem de crianças com cárie dentária tem vindo a diminuir de forma muito expressiva e atingiu níveis muito satisfatórios, particularmente nos indivíduos que têm beneficiado das atividades desenvolvidas no âmbito do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral (PNPSO), como, por exemplo, o programa cheque-dentista, aplicado a crianças e a adolescentes a partir de 2009.

Paulo Melo, um dos autores do artigo refere que “a importância do programa cheque-dentista fica evidente ao constatar que quase dois terços dos dentes com cárie se encontram tratados, contrariamente ao que se verificava nos estudos nacionais de 2000 e 2006, realizados nas crianças e jovens de 6, 12 e 15 anos, e publicados pela Direção-Geral da Saúde (DGS)”.

Os resultados encontrados nas crianças de 6 anos revelam que apesar de haver menos crianças com cáries (55% estão isentas de cárie), existem grandes necessidades de tratamento. Sobre este grupo etário, Paulo Melo é da opinião que “estes resultados obrigam a repensar a forma de intervenção nas crianças com idades inferiores a 6 anos, talvez com um programa específico para estas idades com o cheque-dentista”.

Em suma, “pode-se concluir que a evolução da situação de saúde oral em Portugal é muito favorável entre as crianças e os jovens abrangidos pelo Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral”. A aposta em intervenções públicas bem planeadas, progressivas e sistemáticas é uma necessidade, pois as doenças orais são um problema de saúde pública, com o potencial de interferir drasticamente no crescimento e desenvolvimento de crianças e jovens.

O estudo designado “Caries prevalence and treatment needs in young people in Portugal: the third national study.” é também assinado pelos investigadores Rui Calado, Paulo Nogueira e Cristina Sousa Ferreira da Direção Geral da Saúde.