Germano Silva revisita história da Academia Politécnica na U.Porto

Barómetro de montanha do sistema de Fortin é o objeto de destaque.

“Tempos Difíceis” é o nome da quarta sessão do ciclo de palestras integrado nas comemorações dos 180 anos da criação da Academia Politécnica do PortoMaterialidades da Polytechnica, marcada para o próximo dia 26 de julho, às 18h00, na Sala do Fundo Antigo da Reitoria da U.Porto, e com a participação do jornalista Germano Silva e do astrofísico e professor da Faculdade de Ciências (FCUP), Orfeu Bertolami.

Dedicada à década 1840-1850, a iniciativa aborda uma altura em que os tempos foram, efetivamente, bastante difíceis. Difíceis porque as verbas disponíveis da Academia Politécnica do Porto (APP) eram manifestamente insuficientes para cumprir o ambicioso plano de estudos. Falamos de 11 disciplinas que necessitavam de dar resposta a diversos cursos, o que exigia, por um lado, grande multidisciplinaridade das temáticas lecionadas e, por outro a criação de gabinetes de suporte como o de história natural industrial, o de máquinas, um laboratório de química, uma oficina metalúrgica ou até um jardim botânico e experimental.  A situação era tão dramática que os docentes tinham de recorrer algumas vezes a empréstimos de peças de colecionadores para ilustrar as matérias que lecionavam, e pagar do seu bolso instrumentos e reagentes.

O objeto de destaque desta sessão consiste num barómetro de montanha do sistema de Fortin, parte de um par comprado para o gabinete de física em 1840, juntamente com acessórios para transporte e utilização em trabalho de campo. Este instrumento era usado não só na previsão do estado do tempo como também em determinações de altitude, daí a sua relevância para o ensino em alguns dos cursos ministrados pela APP – especialmente os dirigidos a engenheiros geógrafos, engenheiros de pontes e estradas, oficiais de marinha e pilotos de navegação.

Germano Silva, jornalista, investigador da história do Porto e Doutor Honoris Causa pela U.Porto e Orfeu Bertolami, astrofísico e professor catedrático do Departamento de Física e Astronomia da Faculdade de Ciências são as duas personalidades convidadas para a sessão. O jornalista referir-se-á a aspetos da vida portuense, por vezes pitorescos, no contexto histórico da década; já Bertolami centrar-se-á na informação mais “técnica” relacionada com o objeto de destaque, enquadrando-o do ponto de vista da história da ciência, e nas questões da gestão académica num quadro de exiguidade de recursos.

À semelhança das anteriores sessões, a iniciativa conta com a exibição de um vídeo que retrata o contexto vivido na década de 1840-1850 na APP. A entrada é livre e gratuita.

Esta iniciativa está integrada num ciclo alargado de palestras comemorativas dos 180 anos da criação da Academia Politécnica do Porto, que decorrem às quartas-feiras, ao longo dos meses de junho, julho, outubro, novembro e dezembro, altura do fecho das comemorações. O ciclo desenvolve-se em torno dos acervos históricos dos Museus de História Natural e Ciência da U.Porto, da FEUP, do ISEP, do ISCAP, e ainda do Arquivo e Fundo Antigo da U.Porto. O programa completo da iniciativa pode ser consultado aqui.