Fundação Grünenthal distingue investigação da U.Porto na área da dor

Prémio Grünenthal de Investigação Básica 2016 | FMUP e i3S

Sara Adães (a segunda a contar da esq.) é a investigadora principal do estudo. (Foto: DR)

A Fundação Grünenthal acaba de distinguir com a edição deste ano do Prémio Grünenthal Dor, na categoria de Investigação Básica, um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (I3S) por um estudo centrado na utilização de modelos animais na investigação da dor associada à osteoartrose.

O Prémio Grünenthal Dor – Investigação Básica, avaliado em 7.500 euros, foi atribuído ao trabalho “A injeção intra-articular de colagenase no joelho de ratos como modelo alternativo para o estudo da nocicepção associada à osteoartrose”, da autoria de Sara Adães, Marcelo Mendonça, Lígia Almeida, José M. Castro-Lopes, Joana Ferreira-Gomes, Fani L. Neto, do Departamento de Biologia Experimental, da FMUP, e do grupo de Morfofisiologia do Sistema Somato-sensitivo (Grupo de Dor), do I3S.

“Os modelos animais usados na investigação da dor associada à osteoartrose centravam-se predominantemente no desenvolvimento de alterações que desencadeiam a dor, falhando na capacidade de reproduzir os mecanismos patogénicos e as características estruturais da doença. Assim, nós quisemos avaliar se o modelo da injeção de colagenase, até então utilizado apenas para o estudo das características estruturais da doença, reproduziria também as características da dor associada à osteoartrose. De seguida, utilizámos o mesmo modelo para estudar mecanismos patológicos subjacentes ao desenvolvimento da dor”, revela Sara Adães, investigadora principal do estudo vencedor.

Ratinho

Os investigadores concluíram que o modelo animal apresenta um perfil de desenvolvimento de dor semelhante ao observado na osteoartrose humana. (Foto: DR)

E acrescenta: “Verificámos que o modelo animal apresenta um perfil de desenvolvimento de dor semelhante ao observado na osteoartrose humana, pelo que poderá reproduzir mais eficazmente as características da doença e, consequentemente, permitir uma melhor translação dos resultados experimentais para a prática clínica. Observámos ainda que, numa primeira fase de desenvolvimento da doença, a dor associada à osteoartrose tem características predominantemente inflamatórias. No entanto, numa fase mais avançada, a progressão das alterações estruturais articulares cria condições que favorecem a lesão dos neurónios sensitivos que inervam essas articulações e o desenvolvimento de alterações com características neuropáticas, isto é, derivadas da disfunção do tecido nervoso.”

Relativamente ao que esta investigação vai trazer de novo no futuro, a investigadora revela que “vai contribuir para uma melhor compreensão dos mecanismos e das características neurobiológicas da dor associada a esta doença e para uma maior eficácia na translação de resultados experimentais para a prática clínica e para o desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais eficazes”.

Na categoria de Investigação Clínica, com um prémio monetário também de 7500 euros, venceu a equipa da Sociedade Portuguesa de Reumatologia composta pelos investigadores Nélia Gouveia, Ana Rodrigues, Sofia Ramiro, Mónica Eusébio, Pedro Machado, Helena Canhão, Jaime da Cunha Branco, com o trabalho “O encargo da lombalgia crónica na população adulta portuguesa: resultados de um estudo de base populacional (EpiReumaPt)”.

O Júri do Prémio Grünenthal Dor foi constituído por sete elementos, um representante da Fundação Grünenthal e seis personalidades médicas da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor, Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação e da Sociedade Portuguesa de Reumatologia.

Os prémios vão ser entregues no dia 23 de setembro, às 17h00, na Fundação Calouste Gulbenkian, numa cerimónia que vai ser precedida de um colóquio dedicado ao tema “Investigação sobre Dor”.

Sobre os Prémios Grünenthal Dor

Os Prémios Grünenthal Dor contemplam um valor pecuniário total de €15.000, igualmente distribuídos pelo Prémio de Investigação Básica e pelo Prémio de Investigação Clínica. Criado pela Fundação Grünenthal em 1999, constituem o prémio de mais alto valor anualmente distribuído em Portugal, no âmbito da investigação em dor.

Sobre a Fundação Grünenthal

A Fundação Grünenthal é uma entidade sem fins lucrativos que tem por fim primordial a investigação e a cultura científica na área das ciências médicas, com particular dedicação ao âmbito da dor e respetivo tratamento. Mais informações em www.fundacaogrunenthal.pt