FMUP e CINTESIS avaliam hábitos de exposição solar dos portugueses

Sabemos proteger a nossa pele? Para responder à questão, Ana Filipa Duarte, estudante de doutoramento da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), desenvolveu vários estudos cujo objetivo passou por avaliar os conhecimentos que a população portuguesa tem relativamente à exposição solar. Tendo em conta que o inadequado comportamento aquando da exposição solar é uma das principais razões para o desenvolvimento de cancro da pele, o estudo, desenvolvido com o CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, envolveu vários grupos que lidam com o sol em contextos específicos.

Avaliando os hábitos de exposição solar dos indivíduos enquanto frequentam a praia, a investigadora conclui que mais de metade dos inquiridos chega à zona balnear nas horas menos recomendadas para exposição solar. Desta amostra, são as pessoas com idades compreendidas entre os 16 e 40 anos que mais desrespeitam o horário de segurança. Questionando a mesma população sobre a utilização de solários, concluiu-se que as pessoas que não têm os devidos cuidados em contexto balnear são, também, aquelas que mais recorrem a solários. Refira-se, contudo, que, embora em Portugal a utilização deste serviço seja significativa – especialmente entre mulheres com idades jovens –, a procura está abaixo dos outros países europeus.

Os atletas que praticam desporto ao ar livre são dos grupos mais suscetíveis à exposição solar. (Foto: Egidio Santos/U.Porto)

Para perceber que tipo de cuidados com a pele são tidos na infância, foram analisados os comportamentos de crianças com idades entre os 7 e os 11 anos. Apesar de 64% das crianças utilizar o chapéu para se proteger do sol, foi possível concluir que a utilização de protetor solar está abaixo do desejável – apenas 15% das crianças utilizam quando estão na escola e 37% quando se encontram na praia. Apesar da falta de proteção em alguns cenários, e ainda que 85% das crianças tenha um conhecimento adequado sobre as medidas de proteção solar, mais de metade (64%) pensa erradamente que o protetor solar protege melhor que a roupa ou a sombra.

Os atletas que praticam desporto ao ar livre são outro dos grupos mais suscetíveis à exposição solar. Através da análise dos dados do inquérito realizado junto de corredores ao ar livre, chegou-se à conclusão de que 75% dos inquiridos têm um comportamento desadequado. O cenário é, apesar disso, mais positivo entre pessoas que treinam mais de 4 horas por semana. As mulheres, apesar de serem mais cuidadosas do que os homens no que diz respeito à utilização do protetor solar, não têm tanto cuidado no que aos horários recomendados para a exposição solar diz respeito.

Esta linha de investigação tem também em curso estudos de avaliação adicionais, uma vez que estes permitem aferir a melhor forma de intervenção junto da população e, assim, direcionar campanhas de prevenção, melhorando a sua eficácia. Estão também a ser investigados os dados epidemiológicos, bem como os custos associados ao tratamento do cancro da pele em Portugal.

A investigação de Ana Filipa Duarte foi coordenada por Osvaldo Correia e Altamiro da Costa Pereira, docentes da Faculdade de Medicina da U.Porto e investigadores do CINTESIS.