FLUP segue os passos dos primeiros habitantes do Baixo Minho

Projeto inclui a descoberta de bifaes com mais de 200 mil anos. (Foto: Blogue do Minho)

Começou por ser uma tentativa de decifrar o quotidiano daqueles que foram os primeiros habitantes da região noroeste da Península Ibérica, mas dele já resultou o que se acredita serem “os mais antigos testemunhos da presença do Homem no Alto Minho”. Iniciado em 2016, o projeto transfronteiriçoMiño-Minho: Os primeiros habitantes do Baixo Minho” envolve uma equipa de investigadores e arqueólogos de várias instituições portuguesas e galegas, entre os quais se contam Alberto Gomes e Sérgio Rodrigues, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP).

Apesar de a bacia do rio Minho ser uma das áreas mais importantes para o conhecimento da Pré-História na Península Ibérica, é ainda muito pouco o que se sabe com rigor dos homens que habitaram o Vale do Minho no Paleolítico Inferior. Desvendar esse passado longínquo foi então o propósito que levou os investigadores dos dois países a juntar esforços no sentido de comparar os restos arqueológicos encontrados ao longo das duas margens – a portuguesa e a espanhola – do Rio Minho.

As escavações arqueológicas iniciaram-se em junho, do ano passado, nos concelhos de Monção e Melgaço. Foi nessa altura que os investigadores foram surpreendidos com a descoberta, na freguesia de Valadares (Monção), de um conjunto de bifaces (as primeiras ferramentas pré-históricas reconhecidas como tais) talhados há cerca de 200 mil anos, que configuram a que é a maior jazida paleolítica a Norte do rio Douro.

Os últimos resultados do projeto foram apresentados este mês, no âmbito das Reditus – I Jornadas sobre Património Cultural de Melgaço. (Foto: DR)

Já este verão, os investigadores regressaram ao mesmo local para uma a segunda campanha de escavações arqueológicas. Desse trabalho resultou a recolha de inúmeros dados sobre as ocupações plistocénicas da região e que permitem perceber um pouco melhor o quotidiano dos nossos antepassados.

Os materiais resgatados podem agora vir a ser integrados num museu municipal. Outra hipótese em estudo passa pela inclusão do local das escavações em itinerários culturais desenvolvidos pelo conjunto de municípios, portugueses e galegos, do Vale do Minho.

A divulgação dos resultados da investigação envolveu ainda uma série de ações junto das populações locais, das escolas e das autarquias das localidades envolvidas no projeto, que serviram também para agradecer o apoio facultado pelos municípios de Monção e de Melgaço, e pelas Juntas de Freguesia de Valadares, Remoães e Penso. Dessas iniciativas destaca-se a realização das conferências enquadradas no Reditus – I Jornadas sobre Património Cultural de Melgaço, que decorreram no passado dia 6 de novembro.

O projeto Miño-Minho reúne investigadores da FLUP, da Faculdade de Letras da Universidades de Lisboa, da Universidade do Minho e do Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana (CENIEH),  organismo de referência mundial nos domínios da arqueologia paleolítica e da evolução do Homem. O projeto conta ainda com o apoio da Direção Geral do Património Cultural (Ministério da Cultura, Portugal).