U.Porto dá vida ao espólio de Manuel António Pina

O espólio deixado por Manuel António Pina inclui os famosos “caderninhos de capa preta” onde o poeta guardava versos, frases de livros e até a lista do supermercado. (Foto: DR)

São desenhos, rascunhos de poemas, correspondência, cadernos e originais dos livros de Manuel António Pina e preparam-se para sair dos caixotes e gavetas pelas mãos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), entidade escolhida para digitalizar o acervo documental do poeta, ficcionista, cronista e dramaturgo portuense, falecido em 2012.

Atualmente guardado em casa de familiares, o arquivo documental deixado por Manuel António Pina vai ser digitalizado  com o apoio financeiro – no valor de 6 mil euros – da Fundação Gulbenkian. Os materiais digitalizados vão ficar depois à guarda do Centro de Estudos da Cultura em Portugal (CECP), um organismo recentemente criado pela FLUP para acolher, tratar e investigar acervos documentais relevantes para a cultura e literatura portuguesas.

O espólio de Manuel António Pina percorre a obra literária do autor e o percurso enquanto jornalista. Entre os documentos que serão trabalhados pela FLUP destacam-se alguns que ajudam a conhecer a história da imprensa portuguesa desde os anos que antecederam o 25 de abril.

Prémio Camões de 2011, Manuel António Pina (1943-2012) é autor de uma vasta obra de poesia e de literatura infantil, de inúmeras peças de teatro e de livros de ficção e de crónica. Foi jornalista no Jornal de Notícias e colaborou com o Expresso, Jornal de Letras, Visão, Rádio Porto e RTP. Na sua carreira foi também professor na Escola Superior de Jornalismo.  Publicou livros de poesias como  “Um sítio onde pousar a cabeça”, “Cuidados intensivos”, “Nenhuma palavra, nenhuma lembrança” e “Como se desenha uma casa”. Na literatura infantil, destacam-se “O país das pessoas de pernas para o ar”, “O têpluquê”, “Gigões & anantes”, “História com reis, rainhas, bobos, bombeiros e galinhas”, e “O tesouro”.

Dirigido por Fernanda Ribeiro, Diretora da FLUP, o Centro de Estudos da Cultura em Portugal tem  a seu cargo alguns acervos literários que já pertencem à faculdade, nomeadamente a biblioteca de Vasco Graça Moura. Foi também no âmbito do CECP que foi digitalizado, em 2016, o arquivo do poeta Herberto Helder (1930-2015), igualmente com uma bolsa da Gulbenkian.