FEUP revoluciona sistema de bilhética dos transportes públicos no Porto

(Foto: Filipa Silva / JPN)

A partir de abril vai ser possível utilizar o Metro do Porto, os autocarros da STCP e dos operadores privados (nas linhas que integram o Andante) e os comboios urbanos do Porto validando, apenas e só, com o telemóvel. Tudo graças ao Anda, a nova aplicação móvel do sistema Andante, desenvolvida pelos Transportes Intermodais do Porto (TIP) em estreita colaboração com os operadores de transportes e a Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP).

A aplicação, totalmente inovadora na área de bilhética, permite uma experiência de utilização simplificada do sistema de transportes públicos, desmaterializando o título de transporte numa App (dispensando assim o recurso ao cartão físico e permitindo a utilização do sistema sem conhecer previamente as regras de zonamento ou tarifário), sendo pioneira na capacidade de otimizar o tarifário mensal apresentado a cada cliente, tendo em conta a sua utilização efetiva.

De acordo com Marta Campos Ferreira, docente e investigadora da FEUP envolvida no desenvolvimento do Anda, estamos a falar de uma solução inédita ao nível dos sistemas de bilhética europeus e que pode vir a revolucionar todo o setor. “Com esta aplicação deixa de ser necessário ir para as filas para comprar títulos de transporte, ter moedas disponíveis para as máquinas de venda automática ou transportar cartões físicos. Os passageiros também não precisam de ter conhecimento sobre o tipo de bilhete necessário para efetuar determinada viagem, nem com a compra da assinatura mensal no início de mês”, explica a investigadora da Faculdade de Engenharia.

Outra das grandes vantagens da aplicação é poder pagar no final do mês, “com a garantia de que o cliente paga o mínimo valor possível já que a aplicação otimiza o valor a pagar e agrupa as viagens efetuadas na melhor combinação possível em termos de assinaturas, títulos ocasionais e zonas”. A aplicação garante, assim, que o cliente paga apenas a utilização efetiva das viagens que realiza.

Na opinião de Marta Campos Ferreira, que acompanhou o projeto desde o início, “trata-se de uma solução inovadora e um excelente exemplo que junta o conhecimento da universidade, a experiência dos operadores de transporte e a competência das empresas de base tecnológica”.

De realçar que, numa fase inicial, o Anda está disponível apenas na Google Play, pelo que é indispensável a utilização de um smartphone com sistema operativo Android, com uma versão superior ou igual a 5.0 e comunicações NFC.

O investimento global associado à conceção, desenvolvimento e instalação do sistema Anda é de aproximadamente dois milhões de euros, parcialmente financiado pelo Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente.