FEUP e EFACEC vendem patente por 5 milhões de euros

(foto: Paulo Pimenta / Público)

Tecnologia fotovoltaica pode vir a revolucionar o mercado das novas energias (foto: Paulo Pimenta / Público)

Baixo custo de fabrico, grande eficiência energética e 25 anos de durabilidade. São estas as principais características das novas células solares de perovskita (PSC), que eram já as características das anteriores células sensibilizadas com corante (DSC), embora menos eficientes que as PSC. Ambas as tecnologias fotovoltaicas permitem a conversão direta da luz solar em energia elétrica de forma renovável e sustentável. Foi com base nestas premissas que a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e a EFACEC concluíram a venda da propriedade intelectual da tecnologia à empresa de energias sustentáveis ‘Dyesol’. Um negócio fechado por 5 milhões de euros e que pode vir a revolucionar o mercado das novas energias.

A ideia partiu de Adélio Mendes, professor catedrático da FEUP, que em colaboração com Alberto Barbosa (EFACEC) e com a contribuição da Agência de Inovação (QREN), CUF-QI, CIN e EDP, avançou para a constituição de dois projetos em consórcio – Solarsel e WinDSC –  no âmbito dos quais a tecnologia de selagem foi desenvolvida. Ambos os projetos de investigação contaram com a coordenação dos docentes Adélio Mendes e Joaquim Mendes e da investigadora Luísa Andrade. Com a parceria da EFACEC foi possível introduzir esta tecnologia no mercado a um custo muito baixo e com características que a tornam única a uma escala mundial e bastante competitiva quando comparada com a tecnologia de silício que habitualmente ainda vigora no mercado das energias. Estas células fotovoltaicas possibilitam a fácil integração arquitetónica em aplicações BIPV (Building Integrated Photovoltaics), tiram partido da radiação solar incidente não perpendicular, facilitam a construção de elementos arquitetónicos versáteis devido à sua transparência (ex. aplicação em fachadas e janelas), com diferentes cores e  padrões, além de ser uma tecnologia ”limpa” pois as matérias-primas usadas no seu fabrico são abundantes.

Adélio Mendes, um dos principais impulsionadores do projeto de investigação na FEUP, reforça a importância deste tipo de parcerias e negociações internacionais: “ao vendermos tecnologia de ponta a empresas internacionais estamos a dar provas da nossa capacidade de I&D&I para produzirmos valor industrial, e podemos mais facilmente captar novos investimentos para tantos outros projetos de valor que temos em mãos na Faculdade de Engenharia.”

Do lado da EFACEC, Alberto Barbosa, membro do Conselho de Administração da empresa, confirma o potencial desta tecnologia e a relevância destas parcerias académico-empresariais: “Trata-se de mais um caso de sucesso de parceria entre a Efacec e o mundo universitário, no caso concreto a FEUP. As duas entidades identificaram, em tempo útil, a possibilidade de desenvolver uma nova tecnologia de rutura face ao tradicional silício. O projeto atingiu e superou mesmo os objetivos inicialmente traçados, quer em termos da qualidade da tecnologia desenvolvida quer de rentabilidade das células. Para as fases subsequentes do processo a FEUP e a EFACEC decidiram estabelecer um contrato de transferência de tecnologia com a Dyesol, empresa líder a nível mundial em tecnologia nesta área, e muito mais vocacionada para as tarefas de massificação do produto que se seguem.”

A empresa Dyesol pretende com esta aquisição terminar a produção de módulos de demonstração do protótipo até 2016, e massificar – a partir de 2018 –  alargar e massificar a sua produção. Ian Neal, presidente da empresa australiana de energias sustentáveis mostra-se satisfeito com a aquisição da tecnologia e refere que “a durabilidade é o maior desafio técnico neste mercado e esta tecnologia de soldadura tem o potencial de garantir mais de 20 anos de vida aos produtos de PSC e DSC de estado sólido em várias aplicações pelo que estamos muito animado com as perspetivas comerciais”.

  • Gloria

    Excelente

  • Filipe Sousa

    Uma grande e bom noticia, só é pena que nenhuma empresa quisesse investir para criar riqueza no nosso país….

  • Francisco Silva

    Terei entendido bem? A FEUP e a EFACEC tinham uma parceria e juntaram-se a uma empresa australiana para desenvolver um produto criado em Portugal e que, aparentemente, pelo menos, poderia ser produzido em Portugal e a melhor ideia que tiveram foi vender a patente? Para que os australianos possam ganhar com um mercado cada vez maior? Por acaso alguém se lembrou de mostrar a ideia à FEP , que fica mesmo ao lado? E não se lembraram de inclui num potencial programa conjunto a FAUP – que até já mostrou tecnologia de captação de energia foto-voltaica inventada noutras escolas? E não poderia advir daí uma grande (para não dizer enorme) vantagem para a UP e para o Norte e para o País? E nem se lembraram que o comissário europeu para esta área do conhecimento é português, esteve há pouco na UP a dizer que tinha muito orgulho em falar da UP na Europa? E que talvez fosse sensível a uma candidatura apresentada pela U.P.?
    Claro que fico contente com as (muitas) boas notícias sobre estes desenvolvimentos das escolas da UP. Mas estes desperdícios deixam-me muito mal disposto…

    • armando

      É o país e as elites que temos, não se vêm senão como país pobre, dependente e subdesenvolvido, que trabalha para os ricos e poderosos, que se contentam em ficar na fotografia como servos fieis, bem comportados e honrados.
      Não é assim o governo que escolhemos e temos? e isso não é o espelho do que somos?

    • JO

      O invento deve ser apenas um pormenor de fabrico, nada que se traduza numa rutura com o estado atual de conhecimento. Se fosse algo realmente revolucionário aí sim, não se matava a galinha dos ovos de ouro.

      • Francisco Silva

        Olá JO. Antes de mais peço desculpa por não ter atendido as respostas ao meu comentário. Algo de errado se passou para que o meu pedido para receber notificações apenas tenha funcionado ontem…
        Quanto a este caso concreto já não vale a pena falar. Mas lembra-me um artigo que li há cerca de 6 meses nas notícias UP que me causou a mesma sensação: Uma investigadora da FEUP descobriu um método revolucionário que permite aumentar a capacidade de carga das baterias de lítio para o dobro e permite o seu carregamento em metade do tempo há cerca de 2 anos, mas, porque precisava de um aparelho que lhe permitisse o manuseamento de materiais em ambiente protegido (para os materiais) que a FEUP não tem e como não conseguiu apoio para continuar a sua investigação, resolveu aceitar o convite que lhe foi endereçado por um físico americano que ficou impressionado ao ler o artigo de publicitação da descoberta e foi trabalhar para os EUA com o Prof Goodfellow (se não me engano) – o inventor da pilha de lítio.
        Portugal, que tem a 2ª maior reserva de minério de lítio da Europa e (provàvelmente) a 5ª maior do Mundo, deixou fugir para os EUA que tem mais uma oportunidade de se dizerem “Great Again” com o saber dos outros.
        E a UE também não tem mecanismos para desenvolver estas descobertas para benefício dos europeus (e não estou a por a questão da distribuição da riqueza aqui)
        Cumprimentos

  • Belizario Augusto Sa Silva

    Bom Dia . Francisco Silva tens toda a razão nos inventamos o povo paga os de fora levam o lucro .

  • George Reis

    Os génios deste país não são aproveitados para criarem empregos e riqueza para Portugal. Lamentável e vergonhoso! Um país que até vende a mãe por tostões.

  • jose silva

    É uma pena que os empresários Portugueses mais uma vez tenham deixado passar em claro esta oportunidade, isto só prova a sua fraca qualidade no que respeita à inovação preferindo apostar em setores de mercado tradicionais usando na sua maior parte tecnologia estrangeira. Quanto aos nossos políticos e governantes, nenhum deles se mostrou sensibilizado com esta descoberta o que só prova a sua total incompetência. Este sem duvida é o melhor caminho para países como Portugal prosperarem só não vê quem não quer. Quanto ao facto das entidades Portuguesas envolvidas na descoberta terem vendido a patente a outro país reflete a pobreza de espirito que vai neste pedacinho de terra chamado Portugal vendemo-nos por tuta e meia a qualquer um!