FEUP desvenda o universo subaquático através de sinais acústicos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm grupo de investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) está a testar um novo tipo de veículo capaz de fornecer mais informação sobre o mundo subaquático. Uma particularidade: estes veículos autónomos utilizam sinais acústicos para comunicarem entre si, à semelhança da comunicação que as baleias e os golfinhos estabelecem debaixo de água, ultrapassando assim as limitações das ondas de rádio, que atingem alguns metros de distância quando utilizadas na água.

Chama-se SUNRISE. É um projeto europeu que acaba de receber mais de 2 milhões de euros e que tem como principal objetivo desvendar o mundo subaquático através de veículos autónomos, capazes de estudar novos territórios até aqui inexplorados. Em curso há um ano, o projeto SUNRISE pretende agora alargar a sua esfera de influência e anda à procura de novos parceiros e instituições que queiram juntar-se à equipa.

“Poderão candidatar-se as empresas que possuam tecnologias avançadas para a robótica submarina, ou que desenvolvam aplicativos ou serviços, no contexto da “internet das coisas”, adaptadas a este ambiente”, diz Chiara Petrioli da Universidade La Sapienza de Roma, que coordena o projecto. “Mas estamos também recetivos a candidaturas de quem disponha de instalações com sistemas de monitorização, em áreas subaquáticas específicas”.

O projecto pretende criar, em parceria com as empresas, veículos equipados com sensores para monitorização ambiental de acção preventiva. Estes veículos poderão operar em zonas de recife, barreira de corais, vulcanismo marinho, tsunami, ou mesmo inspeccionar falhas de sistemas em alto mar, como plataformas e oleodutos. “Atualmente utilizamos esta tecnologia para experiências no mar, nomeadamente em La Spezia (Itália), na cidade do Porto e nos Grandes Lagos da América. No Outono, começaremos a operar no Mar Negro, nos canais holandeses e num lago da Alemanha”, esclarece Petrioli.

A novidade destes veículos é utilizarem sinais acústicos para comunicarem entre si, à semelhança da comunicação que as baleias e os golfinhos estabelecem debaixo de água, ultrapassando assim as limitações das ondas de rádio, que apenas atingem alguns metros de distância quando utilizadas na água. Graças à tecnologia integrada do SUNRISE, torna-se possível desvendar o ainda desconhecido mundo aquático e obter finalmente uma imagem mais nítida e completa.

Outras aplicações podem ser apontadas à tecnologia que o SUNRISE desenvolve: identificar e reconstruir locais arqueológicos submersos, em 3D, e explorar o fundo do mar, para fins científicos, são algumas das possibilidades. Mas estes veículos apresentam igualmente uma utilidade potencial no domínio militar, pelo que também a NATO se constitui parceira neste projecto, através do seu Centro de Investigação Marítima e Experimentação de La Spezia.

Além da Universidade de Sapienza, também a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a Universidade de Twente (Holanda) e a Universidade de Suny Buffalo (Nova Iorque) integram a parceria em colaboração com a empresa turca Suasis, a italiana Nexse e a alemã EvoLogics. “ Teremos o nosso primeiro produto ainda durante este Outono: um sistema que permite a dispositivos diversos, de diferentes marcas, comunicar entre si», explica Petrioli. Para a comunicação entre os modems, foi criado um protocolo ad-hoc específico, com a capacidade de funcionar em diferentes produtos com sensores de monitorização. O concurso público visa, precisamente, ampliar a aplicação prática desta tecnologia.