FCUP e CIIMAR usam plantas para combater poluição nas águas

As soluções baseadas na natureza – “Nature Based Solutions” (NBS) – são hoje em dia uma das mais promissoras opções para a preservação e recuperação dos ecossistemas naturais. Consciente disso, uma equipa constituída por Carlos Rocha Gomes (docente da Faculdade de Ciências da U.Porto e investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental – CIIMAR) e Marisa Almeida (investigadora do CIIMAR), e sediada no Departamento de Química e Bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), tem vindo a destacar-se-se no estudo da capacidade de plantas de zonas húmidas para absorver poluentes do meio ambiente.

Este processo natural está na base das fito-ETAR, uma tecnologia verde constituída por leitos de plantas aquáticas, especialmente desenhados e construídos para tratar águas residuais ou águas poluídas. E é precisamente essa tecnologia que Carlos Gomes e Marisa Almeida vêm desenvolvendo através de diversos projetos (incluindo o INNOVMAR financiado pelo Norte 2020) centrados na exploração e utilização de fito-ETAR para a remoção de poluentes, incluindo os mais recentes como os antibióticos.

Designados por poluentes emergentes, estes novos poluentes são continuamente descarregados nos sistemas aquáticos, acarretando riscos para a natureza e também para a saúde humana (por exemplo resistência a antibióticos), e exigindo, por isso mesmo, soluções  mais eficientes para o tratamento das águas residuais. Através de experiências laboratoriais, os investigadores têm avaliado as taxas de remoção de vários poluentes, de modo a otimizar e potenciar a eficácia das fito-ETAR em domínios como a agropecuária ou a aquacultura

O estudo dos processos físico-químicos e biológicos, nomeadamente de biorremediação (processos envolvendo microorganismos) e fitorremediação (processos envolvendo plantas), permitiu verificar que as plantas aquáticas têm um papel ativo neste processo, estimulando os microorganismos existentes no solo que envolvem as suas raízes a degradar os diferente poluentes.

Os resultados obtidos mostram que as fito-ETAR podem ser uma alternativa sustentável para controlar, diminuir ou eliminar a presença de poluentes emergentes dos ecossistemas aquáticos, reduzindo os riscos, nomeadamente os associados à resistência a antibióticos. A possibilidade de reutilização da água tratada é também uma das questões em estudo, relevante para a economia circular.

Apesar da nacessidade de uma área considerável para a sua implantação, os baixos custos de manutenção e operação tornam esta tecnologia verde bastante atrativa. As fito-ETAR são assim uma solução natural integrada para o tratamento de águas residuais, que através da criação de zonas húmidas, ajuda também a travar a destruição de habitats naturais, contribuindo para a proteção da biodiversidade e regulação hidrológica e climática.