Estudo do CIIMAR revela aspetos da síntese de ácidos gordos

O Anfioxo, o foram os animais estudados

O anfioxo, a lampreia e a quimera o foram os três modelos de animais estudados neste trabalho

Uma equipa internacional liderada por Filipe Castro, investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR), acaba de elucidar alguns dos aspetos fundamentais da evolução da via metabólica da biossíntese de ácidos gordos (ômega 3 e ômega 6) em animais cordados.

Os ácidos gordos são vitais para numerosos processos fisiológicos, para o desenvolvimento embrionário e também para a função cerebral, nomeadamente na espécie humana. Na realidade, muitos alimentos usados na alimentação humana são suplementados artificialmente com estes ácidos gordos (ômega 3 e ômega 6) dada a sua relevância para o equilíbrio do organismo. No entanto, estes são também sintetizados endogenamente por meio de uma série sequencial de reações enzimáticas interdependentes, em que o produto de uma reação funciona como um substrato da reação seguinte.

Filipe Castro (CIIMAR)

Filipe Castro é investigador auxiliar do CIIMAR e Professor Auxiliar Convidado na Faculdade de Ciências da U.Porto. (Foto: DR)

O trabalho agora publicado na Scientific Reports, debruçou-se sobre três modelos de animais: o anfioxo (com quem partilhamos um ancestral invertebrado), a famosa lampreia e a menos conhecida quimera (que pertence ao grupo de que fazem parte também os tubarões). Recorrendo à genómica comparada e à realização de bioensaios moleculares, foi possível recapitular os processos evolutivos que levaram à aquisição da capacidade endógena de sintetizar ácidos polinsaturados de cadeia longa, os ómega 3 e ómega 6, observada em alguns animais vertebrados, tal como na espécie humana.

A investigação focou-se num grupo particular de enzimas, as elongases, que em conjunto com as dessaturases são capazes de transformar, por exemplo, o ácido alfa-linolênico muito comum em cereais, em ácidos gordos fisiologicamente muito importantes, como o ácido docosa-hexanóico (ômega 3).

Este estudo sugere assim que a via de biossíntese de ácidos gordos polinsaturados de cadeia longa evoluiu unicamente no ancestral dos vertebrados com mandíbula (peixes, aves, mamíferos, entre outros), estando potencialmente relacionada com a da elaboração da função cerebral e ocular observada neste grupo de espécies