Estudo do CIIMAR recorre a técnicas não destrutivas para análise com percebes

Foram recolhidos para análise 30 indivíduos de Pollicipes pollicipes todos os meses ao longo de um ano.

Ao longo de um ano foram recolhidos para análise 30 indivíduos de Pollicipes pollicipes por mês.

Um estudo orientado por Sara Antunes, investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR) e professora da Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP), e por Bruno Nunes, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), demonstrou que é possível monitorizar o stress ambiental induzido em indivíduos Pollicipes pollicipes (vulgo percebe), recorrendo a uma abordagem não destrutiva, evitando a morte dos organismos amostrados.

Desenvolvido no âmbito da tese de mestrado em Biologia de Ana Sofia Ramos, estudante da FCUP, o estudo “Biomonitoring of environmental stress in Pollicipes pollicipes in the northern coast of Portugal: a non-destructive approach using haemolymph” envolveu a recolha de amostras mensais de percebes na praia de Lavadores no norte de Portugal, ao longo de um ano.

As respostas fisiológicas do percebe foram analisadas através da quantificação da atividade enzimática e dos níveis de peroxidação lipídica, em diferentes tecidos do organismo (cirros, pedúnculo e hemolinfa). Adicionalmente foram adotados novos marcadores toxicológicos, tais como a determinação do conteúdo em glicogénio no pedúnculo e a variação no número de hemócitos na hemolinfa (fluido que tem as mesmas funções que o sangue dos vertebrados).

Os resultados obtidos indicaram que as variações naturais nos níveis de biomarcadores em P. pollicipes são dependentes dos fatores abióticos, condição que deve ser considerada ao interpretar respostas biológicas induzidas por contaminantes antropogénicos do ambiente marinho costeiro.

Para além disso, o estudo demostrou ainda a existência de um padrão de variação sazonal para todos os biomarcadores testados na hemolinfa e nos outros tecidos testados (cirros e pedúnculo). Esta conclusão apoia assim que a hemolinfa pode constituir uma fonte não-letal para as determinações de biomarcadores sendo deste modo uma ferramenta valiosa para futuros estudos ecotoxicológicos.