Estudantes de Ciências Farmacêuticas revelam sintomas de ansiedade e stress

A necessidade de adquirir competências técnicas a nível laboratorial e clínico é a rotina dos estudantes do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP). Por outro lado, as mudanças inerentes à vivência universitária apresentam desafios pessoais e académicos.

Este é o principal resultado do estudo sobre o bem-estar dos estudantes de Ciências Farmacêuticas da FFUP que resulta de uma parceria iniciada entre a Faculdade de Farmácia e Margarida Braga, Professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), no Departamento de Neurociências Clínicas e Saúde Mental.

Os 410 estudantes envolvidos foram divididos em dois grupos: 200 estudantes pertenciam aos 1.º e 2.º anos do mestrado e os restantes 210 frequentavam o 3.º e 4.º anos. A avaliação recaiu nos níveis de stress, na presença de sintomas de ansiedade e depressão e, para monitorizar o grau de felicidade e satisfação dos estudantes, foram aplicadas escalas de bem-estar.

Os resultados do estudo permitiram concluir que 64% dos estudantes inquiridos apresentam níveis de ansiedade acima da media, e que 16% apresentam riscos de depressão. Foi também possível concluir que o género feminino apresenta níveis mais significativos de ansiedade e stress ao longo do curso, com maior risco de esgotar os seus recursos emocionais.

Em relação ao bem-estar, os estudantes de ciências farmacêuticas apresentaram-se satisfeitos com a vida académica e na relação com os colegas, com valores médios de 25 pontos num total de 36 sendo que, os alunos dos 1.º e 2.º anos apresentam níveis mais elevados de satisfação académica.

De acordo ainda com o estudo realizado por Margarida Braga, a ansiedade e o desânimo dos últimos anos do curso dos estudantes da FFUP estão diretamente relacionados com componentes teóricas e práticas do curso e sua finalização.

A necessidade de monitorizar o estado psicológico dos estudantes até ao final do curso, já que os indicadores de sofrimento emocional variam ao longo dos diferentes anos da faculdade, foi a premissa para continuar a parceria entre as duas faculdades prevendo-se resultados mais sustentados no próximo ano.