Estudantes da U.Porto testam regeneração de tendões em hipergravidade

(foto: D.R.)

A equipa ‘Achilles’ vai testar o que acontece às células de tendão quando são expostas a condições de hipergravidade, até 20 vezes a gravidade sentida à superfície terrestre. (Foto: DR)

O que acontece às células de um tendão quando são expostas a níveis de gravidade 20 vezes superiores à que é sentida à superfície da Terra? É isso que uma equipa de estudantes portugueses, três dos quais a frequentar Mestrado Integrado em Bioengenharia da Universidade do Porto, se prepara para testar ao longo dos próximos meses no âmbito de um dos projetos vencedores do concurso Spin Your Thesis, promovido pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Liderada por Raquel Almeida, estudante de doutoramento do MIT Portugal na Universidade do Minho e alumna da U.Porto, a Equipa ‘Achilles’ conta com a participação de Daniel Carvalho, Miguel Ferreira e Elsa Silva, estudantes de MI em Bioengenharia, lecionado entre a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS). Unidos pelo interesse na medicina regenerativa, os membros da equipa querem desenvolver novas técnicas para a regeneração dos tecidos celulares dos tendões.

Foi por isso que, quando surgiu a oportunidade de propor a realização de um estudo em condições de hipergravidade, os estudantes não hesitaram em submeter a proposta ao concurso Spin Your Thesis!. A proposta foi analisada e a equipa ganhou a oportunidade de utilizar a Large Diameter Centrifuge, uma centrifugadora de oito metros de diâmetro situada nas instalações da ESA na Holanda, onde é possível de criar condições de hipergravidade até 20 vezes a gravidade que sentimos à superfície terrestre.

Ao colocarem células de tendão a crescer nessas condições, os estudantes portugueses esperam então perceber se poderá existir um efeito benéfico que possa ser aliado ao desenvolvimento de um penso bioativo. O trabalho vai ser desenvolvido no 3B’s Research Group (Biomaterials, Biodegradables and Biomimetics), na Universidade do Minho. Para o futuro, a equipa sonha com a implementação desta técnica nos hospitais e clínicas do País.

Miguel Ferreira reforça a importância das bases assimiladas na FEUP para ter sucesso neste tipo de projetos: “Penso que uma das maiores vantagens é o estímulo a uma aprendizagem multidisciplinar ao longo do nosso percurso académico, com colaborações com instituições de ensino superior. Exemplo disso são as parcerias com o ICBAS e outros institutos como o i3S que permitem que consigamos interagir com pessoas com formações muito diversificadas e aliar conhecimentos de diferentes áreas para tentar desenvolver novas soluções para os problemas com que nos deparamos.”

Esta não é a primeira vez que a equipa trabalha em conjunto. Raquel Almeida, Miguel Ferreira e Daniel Carvalho haviam já trabalhado num outro projeto, também vencedor do concurso Spin Your Thesis! da ESA, este último com o objetivo de estudar a influência de hipergravidade na formação de vasos sanguíneos.