Empreendedorismo qualificado é o principal desafio da U.Porto

No discurso de abertura da sessão, Carlos Melo Brito destacou o papel da U.Porto na promoção do ecossistema empreendedor.

“Talento, redes, escala, mundo, imagem e ambição”. Foi desta forma que Carlos Melo Brito, pró-Reitor para a Inovação e Empreendedorismo, resumiu os principais desafios e oportunidades do ecossistema empreendedor da Universidade do Porto. Esta conclusão surge da primeira edição dos Estados Gerais do Empreendedorismo na U.Porto, uma sessão com casa cheia, que conjugou a visão interna e externa à Universidade.

Mais de uma centena de pessoas juntaram-se na Reitoria da U.Porto, na passada quinta-feira, dia 20 de abril, para conhecer mais aprofundadamente o que pode a U.Porto fazer pelos seus membros mais empreendedores, num evento organizado pelo Clube de Empreendedorismo da U.Porto (CedUp). Como referiu Carlos Brito no início da sessão, a U.Porto, sendo um grande produtor nacional de ciência, “tem a obrigação de criar valor com base nesse conhecimento, seja ele económico ou social. E, para isso, todos têm de ser empreendedores”.

O primeiro painel da tarde foi dedicado à visão interna do tema, numa sessão onde estiveram representadas as principais estruturas de apoio ao empreendedorismo na U.Porto, na pessoa de Cláudia Silva (UPTEC), João José Pinto Ferreira (Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico/MIETE) e Maria Oliveira (U.Porto Inovação). A audiência contou também com o testemunho de Júlio Martins da ideia.m, uma das primeiras startups a nascer no seio da Universidade do Porto. Numa animada conversa moderada pelo jornalista António José Gouveia (editor no Jornal de Notícias), os oradores analisaram as oportunidades que existem para os empreendedores da Universidade, desde a formação pós-graduada, passando pela proteção da propriedade intelectual na U.Porto Inovação ou pela incubação de startups no UPTEC.

Maria Oliveira, da U. Porto Inovação, João Ferreira da FEUP, Cláudia Silva do UPTEC e Júlio Martins da ideia.m falaram sobre a visão interna do empreendedorismo.

Ficou no ar uma questão consensual: o que falta fazer? O painel de oradores concordou que a vertente do ensino é a mais importante mas, como referiu Júlio Martins, com base na sua experiência de anos, essa formação deve ser mais específica: “Ser empreendedor hoje em dia, mais do que uma palavra hype fashion, é uma grande responsabilidade e todos devem ter a noção dos desafios e dos riscos. É o trabalho de muita gente, são recursos, são pessoas, são questões legais. Mais do que haver formação em empreendedorismo deve haver, sim, formação em ambiente de negócios”. Maria Oliveira acrescentou ainda que, para isso, “a Universidade deve apostar numa estratégia que privilegie o ensino das competências de empreendedorismo, cada vez mais procuradas por que procura a U.Porto”.

Moderado por Sandra Pereira, pivô de informação da RTP, o segundo painel juntou um conjunto de entidades – Sonae Investment Management, Câmara Municipal do Porto, Federação Nacional de Associações de Business Angels (FNABA) e ANJE – que olham, de fora, para o estado do empreendedorismo na Universidade do Porto. E o que procuram estes organismos na Universidade? A partir desta questão, Filipe Araújo, da Câmara Municipal do Porto, destaca a importância da U.Porto no desenvolvimento de estruturas e redes, que ajudem a promover o crescimento das empresas da região, como é o caso do projeto Scaleup Porto. Já Alexandre Teixeira dos Santos, da Sonae Investment Management, desafia a U.Porto a trazer para a cidade alguns programas (já existentes) que ajudem os empreendedores a inovar e gerar negócio em torno da região.

A visão externa do empreendedorismo foi analisada com Alexandre Teixeira dos Santos, da Sonae Investiment Management, Filipe Araújo, da CMPorto, Miguel Henriques da FNABA e Rafael Rocha, da ANJE.

Miguel Henriques, da FNABA, dá-nos uma visão otimista do ecossistema empreendedor. Segundo o presidente da federação, os empreendedores “têm de ter o arrojo de procurar redes”, para se tornarem mais competentes no acesso ao mercado de investidores. Rafael Rocha, da ANJE, salienta três missões da Universidade: “criar talento, transferir conhecimento e dinamizar a relação com as empresas”.

Numa altura em que diariamente se fala de empreendedores, o desafio lançado à comunidade interna e externa da Universidade do Porto passa por promover o “empreendedorismo qualificado”. No discurso de encerramento da sessão, Sebastião Feyo de Azevedo, Reitor da U.Porto, reforçou a mensagem de que “temos todas as condições de criar o Porto, cidade de inovação”.