Dor neuropática piora o sono das mulheres com cancro da mama

A dor neuropática está associada a uma deterioração da qualidade do sono das mulheres com cancro da mama. (Foto: Pixabay/padrinan)

Um estudo da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) mostrou que a dor neuropática que resulta dos tratamentos para o cancro deteriora a qualidade do sono das doentes com cancro da mama.

A dor neuropática é provocada por uma doença ou lesão que afeta o sistema somotossensorial (relacionado com os sentidos). No caso das mulheres com cancro da mama, a dor é descrita como uma sensação de queimadura ou choque elétrico, e localiza-se frequentemente na mama ou região torácica, na axila e no braço do lado que é submetido a tratamentos.

“O nosso objetivo foi estudar a contribuição desta complicação, que surge como efeito secundário dos tratamentos para o cancro da mama, no aparecimento de distúrbios do sono”, refere Filipa Fontes, primeira autora da investigação, coordenada por Nuno Lunet. “Apesar de sabermos que os tratamentos para o cancro da mama estão associados à existência de distúrbios do sono, pouco se conhece sobre a influência específica da dor neuropática na ocorrência desses problemas”, acrescenta.

Com o intuito de quantificar o impacto da dor neuropática na qualidade de sono das doentes, foram usados dados de uma coorte (estudo longitudinal) de 501 mulheres com cancro da mama, seguidas durante um ano após o diagnóstico.

Verificou-se que a dor neuropática se associou a uma deterioração da qualidade do sono, tanto nas mulheres que já apresentavam má qualidade do sono antes de iniciarem os tratamentos, como nas que não tinham este problema. No entanto, o efeito da dor neuropática foi mais lesivo naquelas que apresentavam boa qualidade do sono, antes de darem início às terapias.

Os resultados alcançados sugerem que se deve intervir sobretudo nas doentes sem problemas de sono antes do início dos tratamentos, frisa a investigadora, acrescentando que é importante informar as doentes acerca da possibilidade do surgimento desta complicação durante e após a terapia. “As estratégias para diminuir o impacto da dor neuropática no sono incluem a promoção de hábitos que facilitem uma boa higiene do sono, nomeadamente a criação de um ambiente acolhedor na hora de ir dormir (diminuição da intensidade da luz, manutenção de um ambiente silencioso e de uma temperatura adequada), a redução do consumo de bebidas estimulantes horas antes de ir dormir, e a prática de exercício físico regular (evitando, contudo, a sua prática próximo da hora de deitar), por exemplo”.

O estudo designado “Neuropathic pain after breast cancer treatment and its impact on sleep quality one year after cancer diagnosis” foi publicado na revista “The Breast”. Marta Gonçalves e Susana Pereira assinam também esta investigação.