Desenho das cidades pode influenciar atividade física nos mais velhos

Segundo os investigadores, urge “repensar as regras do planeamento urbano de forma a melhorar a mobilidade dos cidadãos”.

A proximidade a áreas de lazer e de serviços pode ajudar a promover os hábitos de exercício físico nos mais velhos. Essa é a principal conclusão de um artigo publicado por um grupo de investigadores do Instituto de Engenharia Biomédica (INEB) na última edição da revista “Preventive Medicine”, construído com base em dados recolhidos junto da população do Porto.

Segundo Ana Isabel Ribeiro, primeira autora do artigo, “a proximidade de lojas, locais culturais, locais para interação social e, em menor grau, os parques, está associada a uma maior dedicação a atividade física de lazer”. Os dados foram obtidos através do EPIPorto, um projeto da Faculdade de Medicina (FMUP) e do Instituto de Saúde Pública da U.Porto (ISPUP) dirigido para a avaliação de determinantes de saúde na população adulta, e o trabalho contou com a colaboração de investigadores de Glasgow e do Rio de Janeiro.

Apesar de demonstrar que a estrutura da cidades é importante no estabelecimento de hábitos de atividade física, o estudo mostra, contudo, que a população com pouca propensão para o exercício físico não altera os hábitos, independentemente de ter ou não áreas de lazer ou de serviços próximas da zona de residência. Como salienta Fátima Pina, coordenadora da equipa, “para os que não fazem exercício, parece não adiantar ter um parque mesmo à porta”.

Uma outra conclusão deste estudo é o facto das tipologia das áreas de lazer terem impactos diferentes de acordo com o sexo dos indivíduos. Para os homens a proximidade aos parques e para as mulheres a proximidade a outros destinos, tais como lojas, igrejas e locais para interação social, são importantes preditores da atividade física.

Numa perspetiva de saúde pública,  “uma boa distribuição dos espaços de lazer e de convívio no tecido urbano pode promover a atividade física dos mais velhos”explica Fátima Pina,. No entanto, os autores defendem que, apesar de a organização urbana melhorar os hábitos de atividade física dos “convertidos ao exercício”, poderá ser necessária intervenção educativa dirigida aos mais resistentes a passeios ao ar livre.

Dada a pressão sobre os sistemas de saúde agravada pelo envelhecimento da população, a investigadora deixa claro que “será importante dar atenção à prevenção primária”, na qual se inclui o exercício físico, bem como “repensar as regras do planeamento urbano de forma a melhorar a mobilidade dos cidadãos” e garantir um bom balanço entre zonas residenciais, áreas de lazer ao ar livre ou de encontro social.