Descobertos genes que controlam órgão essencial ao funcionamento em cardume

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A capacidade dos peixes nadarem em cardume está ligada à expressão do gene sox21a. (Foto: freeimages)

A formação do órgão lateral que permite aos peixes sentirem movimento na água é controlada pelo gene sox21a, afirma uma equipa de investigação luso-espanhola liderada por José Bessa, investigador do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), da Universidade do Porto, e José Luís Gomez-Skarmeta. Feito em embriões de peixe zebra, o estudo pioneiro (ver vídeo) demonstrou que não havendo expressão daquele gene, deixa de existir a linha de pequenos pêlos e células sensoriais que se estende ao longo do corpo do peixe (Linha Lateral), muito equivalente ao ouvido interno dos humanos e sem a qual os peixes serão, além de incapazes de nadar em cardumes, “aquaticamente surdos”.

Imegem de um Neuromasto em microscopia

Imegem de um Neuromasto em microscopia. (Foto: DR)

José Bessa afirma que “é muito interessante ver como a Linha Lateral se forma, pois as células que lhe dão origem vão migrando ao longo do corpo do embrião numa fase muito inicial”. O sox21a começa a expressar-se mais intensamente num grupo restrito das células em migração que dão origem aos Neuromastos (pequenas estruturas constituídas por um pêlo que na base tem um conjunto de células auxiliares que por sua vez se ligam ao sistema nervoso) e que são depositados periodicamente.

Sempre que o pêlo sente agitação na água transmite informação ao peixe cuja natação responde quase automaticamente. O investigador do IBMC explica que o sox21a também é responsável pala migração das células nessa linha mas, adianta, “a principal função é controlar moléculas de sinalização importantes para a diferenciação dos Neuromastos”.

O objetivo do grupo, que se dedica ao estudo da biologia do desenvolvimento, passa por compreender os mecanismos básicos que levam à formação de diferentes órgãos. As implicações que estas descobertas podem ter no futuro são muito imprevisíveis. “Neste momento estamos a trabalhar no desenvolvimento do pâncreas o qual, certamente, terá implicações no estudo da Diabetes”, exemplifica o autor.