Da Exposição de Paris aos jardins da cidade do Porto

Palácio de Cristal

Inaugurados há 150 anos para receber a Exposição Internacional de 1865, os jardins do Palácio de Cristal constituem um espaço de referência da cidade do Porto. (Foto: DR)

Nos próximos dias 1 e 2 de fevereiro, o Auditório de Serralves vai debater a influência e o contributo das Exposições Internacionais para o desenho e construção do espaço exterior. É da escala do jardim que se vai partir para a escala da cidade e, como não poderia deixar de ser, o mote vai ser dado pelos jardins do Palácio de Cristal até à influência que exerceram na construção dos restantes espaços verdes da cidade. A comissariar a conferência está Teresa Marques, docente do Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território e Diretora da Licenciatura em Arquitetura Paisagista da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Os estudantes têm desconto de 50% no preço do bilhete.

Inaugurados há 150 anos para receber a Exposição Internacional de 1865, os jardins do Palácio de Cristal são espaços de referência da cidade. A Exposição Internacional foi organizada pela Associação Industrial Portuense, atual Associação Empresarial de Portugal (AEP), recebeu a visita oficial do rei D. Luís, de Dona Maria Pia, do príncipe herdeiro e contou com mais de três mil expositores internacionais das mais diversas proveniências. Inaugurada a 15 de setembro, foi a primeira Exposição a ser realizada na Península Ibérica sendo que, para o efeito, foi também edificado o Palácio de Cristal.

E se os “jardins do Palácio de Cristal representam o primeiro grande e moderno espaço de recreio da cidade, o Parque de Serralves constitui a última grande quinta de recreio construída no Porto”, lembra Teresa Marques. A comissária acrescenta que, “por razões distintas”, as histórias destes dois locais “cruzam-se com as das Exposições Internacionais”, sobre cujo significado também se vai refletir em Serralves.

Entre 1865 e 1937 realizaram-se várias exposições, e cada uma espelhou as questões (e inquietações) inerentes ao seu tempo, mas estes dois dias de conferência vão focar-se naquelas que “mais contribuíram para o entendimento dos jardins do Palácio de Cristal e dos espaços verdes públicos que se construíram nas décadas seguintes, no Porto, influenciados pela dinâmica gerada pela construção daqueles jardins”. A também investigadora do CIBIO / InBIO,  sublinha que, no entanto, a história de Serralves está diretamente ligada a outras duas Exposições: A de Paris de 1925, “determinante nas opções estéticas presentes na construção da propriedade”; e a de 1937, durante a qual “(Jacques) Gréber assumiu o papel de arquiteto-chefe”.

A conferência EXPOSIÇÕES INTERNACIONAIS – ENTRE O JARDIM E A PAISAGEM URBANA: Do Palácio de Cristal do Porto (1865) à Exposição de Paris (1937) será também uma oportunidade para recordar a obra de Gréber, arquiteto paisagista francês de projeção internacional e personagem “fundamental para o entendimento de Serralves em todas as suas dimensões”.  A abordagem terminará, precisamente, com a Exposição Internacional de Paris de 1937, que foi planeada por Gréber, autor do projeto para o Parque de Serralves, “espaço de incontornável interesse paisagístico e de importância central na vida contemporânea do Porto e do país”.

A Conferência dirige-se a profissionais, investigadores, estudantes ligados ao desenho das cidades e dos jardins e ao público em geral. Os participantes que se inscreverem até 15 de janeiro beneficiam de um desconto de 20% no preço da inscrição.

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