Contas de vidro que resistiram ao Terramoto de Lisboa guardam história da cidade

Exemplos das contas de vidro achadas nos destroços do Terramoto de Lisboa.

Raros exemplares de contas de vidro foram encontrados, durante intervenções arqueológicas realizadas nos anos 90, nos vestígios de núcleos urbanos destruídos aquando do terramoto de 1755, em Lisboa. Maria da Conceição Rodrigues estudou estes achados em laboratório, enquadrando-os nas vivências sociais e culturais de Lisboa de meados do século XV até ao terramoto de 1755.

Os resultados deste trabalho são agora publicados pela U.Porto Editorial no livro “As ‘Contas Longas’ de vidro como elemento de identidade dos africanos no passado histórico e cultural de Lisboa”, que será apresentado no próximo dia 7 de maio, às 18h30, na Reitoria da Universidade do Porto, por Fernando Campos Real, diretor da Fundação Côa Parque.

As contas de vidro, usadas nas sociedades africanas como elemento de prestígio social, terão sido trazidas para Portugal, desde meados do século XV até ao Alvará Régio de Setembro de 1761, pelos escravos africanos que as usavam como elemento identitário. Com este estudo procura-se enquadrar este conjunto de contas nas vivências sociais e culturais de Lisboa naquele período temporal, tendo em atenção os locais de recolha – Praça do Município e Praça Luís de Camões, em Lisboa.

A entrada na sessão de apresentação do livro é livre.

A autora

Maria da Conceição Lopes Rodrigues, natural de Lisboa, é doutorada em Letras, área de História na especialidade de Arqueologia pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Investigadora / Arqueóloga do ex-Centro de Pré-História e Arqueologia do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), tendo entrado em 1968 para a antiga Junta de Investigações do Ultramar (JIU).