Consumo elevado de álcool aumenta o risco de cancro do estômago

Investigadores da EPIunit do ISPUP participaram em estudo internacional que concluiu que o consumo elevado de álcool aumenta o risco de cancro do estômago. (Imagem: Pixabay/stevepb)

Consumir mais de quatro bebidas alcoólicas por dia aumenta a probabilidade de desenvolver cancro do estômago, avança um estudo internacional, no qual participaram investigadores da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).

O consumo de álcool é um dos principais fatores de risco modificáveis para o desenvolvimento de vários tipos de cancro. Apesar de, recentemente, se ter estabelecido uma associação entre o consumo elevado de álcool e o risco de cancro do estômago, existem aspetos relativamente à quantificação desta associação que continuam por esclarecer.

“Este estudo partiu de uma iniciativa de vários investigadores na área da epidemiologia do cancro, com o objetivo de preencher algumas lacunas no conhecimento da etiologia do cancro do estômago e de analisar simultaneamente um grande conjunto de dados que, de outra forma, estariam dispersos. Esta estratégia permite harmonizar/padronizar a informação disponível e, de uma forma eficiente, definir e quantificar os principais efeitos de fatores de risco de interesse, mesmo que estes correspondam a hábitos que sejam pouco frequentes na população”, refere Bárbara Peleteiro, uma das investigadoras do ISPUP envolvida na investigação.

O estudo em questão, publicado na revista “International Journal of Cancer,utilizou dados do projeto “Stomach Cancer Pooling (StoP)”, um consórcio internacional de 20 estudos epidemiológicos sobre fatores de risco para o desenvolvimento de cancro do estômago, que reúne um total de 9.669 casos (doentes com cancro do estômago) e 25.335 controlos (doentes sem este tipo de cancro) provenientes da Europa, Ásia e América do Norte, e com estilos de vida diferenciados.

O objetivo do estudo consistiu em perceber se a ingestão elevada de álcool, independentemente de fatores como a idade dos indivíduos da amostra, do sexo, da etnia, do consumo de fruta e vegetais, da presença ou ausência da infeção por Helicobacter pylori (bactéria que se aloja no estômago e que aumenta a probabilidade de desenvolver este tipo de cancro), entre outros, se associa a uma maior probabilidade de ocorrência de cancro do estômago, a terceira maior causa de morte relacionada com o cancro em todo o mundo e a quarta maior causa em Portugal.

Os resultados mostram que as pessoas que ingerem entre 4 a 6 bebidas alcoólicas por dia apresentam 26% maior probabilidade de terem cancro do estômago do que as que não bebem álcool. Este valor sobe para 48% para os consumidores de mais de 6 bebidas alcoólicas diárias.

A análise efetuada “fornece evidência quantitativa mais bem definida e precisa que a anteriormente disponível para a associação entre o consumo de álcool em elevadas quantidades e a ocorrência de cancro do estômago”, avança. “O estudo vem, de facto, reforçar o efeito nocivo que o consumo de álcool pode ter na saúde. Ao diminuir este consumo estaremos a contribuir para a adopção de um estilo de vida mais saudável, prevenindo o cancro do estômago”, conclui.

Para além de Bárbara Peleteiro, também o investigador Nuno Lunet participa no estudo designado “Alcohol consumption and gastric cancer risk—A pooled analysis within the StoP project Consortium”, disponível para consulta online.