CINTESIS estuda impacto das farmácias na gestão da rinite alérgica

Jean Bousquet é chairman da iniciativa ARIA (Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma), que visa melhorar a gestão da rinite em todo o mundo

O CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde vai dar início a um projeto de investigação internacional que pretende verificar se é possível melhorar de forma eficiente o controlo da rinite alérgica através da intervenção dos farmacêuticos.

O kick-off do projeto acontece já no dia 1 de junho, sexta-feira, no CINTESIS. A sessão, marcada para as 14h30, contará com uma intervenção de Jean Bousquet, reputado especialista francês em alergias, intitulada “From guidelines to mHealth to change management – the example of allergic Rhinitis impact on asthma” e com um debate sobre “Serviços farmacêuticos e mHealth – desafios de integração no sistema de saúde”, que envolverá faculdades de todo o país bem como as duas associações de Farmácia existentes em Portugal – a Associação Nacional de Farmácias (ANF) e a Associação de Farmácias de Portugal (AFP).

A rinite alérgica é uma doença que afeta 30% da população e que se encontra, em 85% dos casos, descontrolada. Embora tenda a ser desvalorizada, esta doença afeta negativamente a qualidade de vida dos pacientes, comprometendo o sono, a função motora, a cognição, a rentabilidade no trabalho e a participação em atividades sociais.

85% dos pacientes com rinite não têm a doença controlada

A maioria dos doentes com rinite alérgica automedica-se com fármacos que adquire nas farmácias. “Os farmacêuticos são a base da gestão da rinite na maioria dos países”, defende o alergologista e investigador do CINTESIS na área das tecnologias aplicadas à saúde, João Fonseca, acrescentando que “é possível aos farmacêuticos identificar, acompanhar e rever os pacientes com rinite ligeira nas farmácias comunitárias”.

É neste enquadramento que nasce o projeto “ARIA pharmacy 2018 – Caminhos integrados de apoio à gestão da rinite alérgica em farmácias”.  O objetivo é “comparar o impacto do uso de um sistema de apoio à decisão (uma app), com os cuidados padrão no controlo da rinite ligeira, no âmbito da farmácia comunitária”, explica o alergologista.

Assim, durante 14 dias, 120 farmácias de todo o país vão convidar os seus clientes com sintomas de rinite a serem acompanhados na farmácia, com o apoio da app Allergy Diary – uma aplicação clínica já testada e cientificamente validada. Este grupo de pacientes (grupo de intervenção) será comparado com um grupo de controlo, que receberá o aconselhamento habitual, sem recurso à app, ao fim de duas semanas.

João Fonseca realça que, para além do objetivo principal, o estudo permitirá ainda avaliar outras variáveis relevantes, tais como a adesão à terapêutica da rinite proposta em farmácia comunitária a curto prazo ou a percentagem de doentes que são referenciados para serem vistos por um médico.

“O conhecimento gerado por este estudo será partilhado a nível internacional e integrado em orientações futuras. Fornecerá ainda informações novas que devem ser integradas na prática dos farmacêuticos, melhorando o aconselhamento que prestam aos pacientes”, conclui o especialista.

Mais informações (programa, inscrições, etc) aqui.