CINTESIS dá início a estudo piloto para colmatar défice de iodo nas crianças

Conceição Calhau lidera o estudo de intervenção  IoGeneration@Lisboa

Uma equipa de investigadores do CINTESIS, unidade de investigação com sede na Universidade do Porto, vai dar início a um estudo-piloto que tem como objetivo diminuir a carência de iodo nas crianças em idade escolar. O projeto, de caráter interventivo, vai envolver mais de 700 crianças entre os 6 e os 12 anos de idade de um agrupamento de escolas no centro de Lisboa e arranca na semana em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro).

O estudo integra-se no IoGeneration – um projeto europeu que recebeu meio milhão de euros de fundos europeus para avaliar o estado do iodo em Portugal. Os resultados dessa avaliação foram alarmantes. “O IoGeneration revelou que um terço das crianças portuguesas com idades entre os 6 e os 12 anos apresenta níveis insuficientes de iodo, o que pode comprometer o seu desenvolvimento cognitivo”, lembra Conceição Calhau, investigadora do CINTESIS.

Foi por isso que a líder do IoGeneration decidiu que o projeto não poderia ficar por aqui e, depois de apresentar uma proposta de suplementação nacional junto da Comissão Parlamentar da Saúde, juntou esforços com a Direção Geral da Educação (DGE) e outros parceiros para operacionalizar um estudo-piloto, de caráter interventivo, que permita testar uma estratégia para corrigir os níveis de iodo das crianças. “O objetivo é que esta estratégia venha apresentar resultados positivos na saúde das crianças, devendo depois ser replicada por todo o país”, adianta a Conceição Calhau.

Assim, na semana que tem início com o Dia Mundial da Alimentação, a equipa de investigação dá o pontapé de saída do projeto com a recolha das primeiras amostras de urina dos alunos do Agrupamento de Escolas Dona Filipa de Lencastre, em Lisboa. O objetivo é avaliar os níveis de iodo das crianças antes da alimentação escolar ser alterada.

Depois, durante todo o ano letivo, a equipa de investigação vai apoiar a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) no acompanhamento das refeições na cantina da escola, para garantir que os estudantes ingerem pelo menos uma refeição rica em iodo.

“Serão ainda realizadas sessões educativas com os pais para os sensibilizar para os problemas decorrentes da carência de iodo e para as melhores formas de contrariar esse défice”, acrescenta Diogo Pestana, que também integra a equipa do CINTESIS que estará no terreno. A ideia é aumentar consideravelmente os níveis de literacia dos pais e dos educadores relativamente ao consumo de iodo e alavancar mudanças de comportamento.

Os testes finais, que permitirão comparar os níveis de iodo e o desenvolvimento geral das crianças antes e depois do estudo de intervenção, serão realizados no final do ano letivo.

Recorde-se que a necessidade diária de iodo se situa entre as 90 a 150 microgramas, em função da idade da criança. Este é um micronutriente fundamental para o desenvolvimento saudável do cérebro e do sistema nervoso, nas crianças.