CINTESIS alerta para deficiência em vitamina D nas crianças

Estudo foi conduzido pela pediatra Carla Rêgo, investigadora do CINTESIS. (Foto: CINTESIS)

A deficiência em vitamina D poderá tornar-se um problema de saúde pública na população pediátrica portuguesa, indica um estudo da autoria da pediatra Carla Rêgo, investigadora do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde.

O estudo, publicado na Acta Pediátrica Portuguesa, concluiu que cerca de metade das crianças e adolescentes saudáveis da região do Porto com idades compreendidas entre os 5 e os 17 anos apresentava níveis de vitamina D abaixo do normal, independentemente do estado de nutrição e do padrão de atividade física.

Na população avaliada, a prevalência de deficiência em vitamina D era de 47,8%, sendo que 6% registavam uma deficiência severa, com valores inferiores a 10ng/mL, e 5% tinham “compromisso de mineralização óssea (MO) para a idade”.

De acordo com Carla Rêgo, a elevada prevalência de deficiência em vitamina D comporta “um elevado risco de compromisso futuro da saúde óssea”, com “potencial impacto na saúde óssea e metabólica”, uma vez que dois terços da massa óssea são formados na adolescência.

“Os resultados deste estudo levam a repensar as recomendações relativas à suplementação em vitamina D às crianças portuguesas e, acima de tudo, reforçam a necessidade de promover mudanças nos estilos de vida”, alerta a investigadora do CINTESIS, a segunda maior unidade de investigação sediada na U.Porto,

A suplementação farmacológica ou o enriquecimento de alguns alimentos como o leite poderão compensar o suprimento inadequado de vitamina D resultante da exposição solar insuficiente nos meses de inverno na região do Porto e do estilo de vida da maioria das crianças e adolescentes, traduzido por escassas atividades ao ar livre e por um grande número de horas passadas em sala de aula ou em casa. Recorde-se que as fontes alimentares de vitamina D são limitadas, suprindo apenas 10% das necessidades diárias.

Estes dados apoiam, ainda, a importância do rastreio de comportamentos de risco para deficiência em vitamina D em crianças e adolescentes, integrando-o na consulta de Vigilância da Saúde Infantil e Juvenil, bem como a necessidade de realizar estudos relativos ao status da vitamina D na população pediátrica portuguesa.

A vitamina D é essencial para absorção do cálcio pelo organismo e para a formação óssea, havendo vários estudos que demonstram uma associação entre a deficiência nesta vitamina e o aumento do risco de certas doenças crónicas, como doenças cardiovasculares, cancro, doenças autoimunes e diabetes tipo 1 em idade adulta.