CIIMAR deteta falha no programa de erradicação da raposa na Tasmânia

A raposa vermelha (Vulpes vulpes) é omnívora e encontra-se essencialmente no Hemisfério Norte. Está também presente na Austrália continental.

Investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da U. do Porto (CIIMAR) e de várias instituições australianas demonstraram a ineficiência de um programa de 13 anos do governo Australiano implementado para a erradicação da raposa vermelha na ilha da Tasmânia. A investigação independente, levada a cabo pelos cientistas portugueses e australianos, demostrou que não existem provas da existência de uma população de raposas na Tasmânia, ao contrário do afirmado.

A equipa portuguesa, coordenada por Filipe Pereira do CIIMAR, reavaliou os resultados do programa de erradicação, bem como algumas das técnicas laboratoriais utilizadas na suposta deteção da raposa, demostrando que este programa apresenta graves deficiências. No recente artigo publicado na revista Conservation Biology, a equipa que inclui os investigadores Filipe Pereira e Inês Soares (INESC Coimbra) “demonstrou que os supostos avistamentos de raposas por parte da população local foram influenciados por notícias ambíguas na comunicação social, vinculadas pelos responsáveis do programa de erradicação”, refere Filipe Pereira.

Já noutro estudo publicado na revista Forensic Science International, a equipa portuguesa, composta por Filipe Pereira, António Amorim (i3S) e Joana Gonçalves (i3S) demonstrou que o teste genético utilizado para detetar a presença de raposas a partir de amostras recolhidas no terreno (e.g., fezes, pelos) originava falsos positivos, isto é, o teste identificava como sendo de raposa amostras de outras espécies, como o coelho, lebre, porco, etc. A má qualidade do teste genético induziu em erro as autoridade locais e justificou a continuação desnecessária do programa de erradicação.

A raposa vermelha (Vulpes vulpes) é uma espécie invasora na Austrália continental desde 1845, contribuindo para o declínio das populações de espécies nativas. A suspeita da libertação de algumas raposas na ilha da Tasmânia em 2001 deu início a um programa de erradicação com o objetivo de proteger as espécies raras lá existentes, que incluem mamíferos marsupiais presentes somente na Oceânia. O programa implementou o uso de iscos com veneno para eliminação das raposas, com efeitos graves para outras espécies animais existentes na Tasmânia.

Desde a sua criação em 2001, o programa de erradicação da raposa não conseguiu confirmar a existência de uma única raposa viva na Tasmânia através de fotografias, vídeos ou de cadáveres, apesar de gastos estimados em mais de 45 milhões de euros. Este programa está atualmente a ser investigado sob a suspeita da falsificação de amostras e do encobrimento de relatórios internos a sugerir a existência de erros graves nos procedimentos utilizados.