CIBIO ajuda a explicar os padrões de distribuição de espécies invasoras

Dois dos investigadores envolvidos neste estudo – Marcelo Vallinoto e Fernando Sequeira (CIBIO-InBIO) seguram exemplares de sapo cururu (Rhinella marina). Foto: Um Segundo Filmes

Marcelo Vallinoto e Fernando Sequeira (CIBIO-InBIO) seguram exemplares de sapo cururu (Rhinella marina). Foto: Um Segundo Filmes

Dois investigadores do CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos colaboraram num estudo que explica como se podem prever os padrões de distribuição das espécies invasoras atendendo não só às suas limitações fisiológicas, mas também às interações que estas estabelecem com outras espécies.

Publicado na prestigiada revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o artigo parte do estudo da espécie sapo cururu, introduzida na Austrália na década de 30 (vindo da América do Sul) com o objetivo de controlar as pragas da cana-de-açúcar. Ironicamente, anos depois, o sapo cururu foi, ele próprio, considerado uma praga naquela zona do planeta.

Por esse facto, dois investigadores australianos, Reid Tingley e Michael R. Kearney, da Universidade de Melbourne, pretenderam estudar possibilidades de controlar esta praga.  Nesse contexto conheceram Marcelo Vallinoto, investigador brasileiro da Universidade do Pará e do CIBIO – InBio , e o português Fernando Sequeira (CIBIO-InBio), especialistas no estudo desta espécie.

Os quatro investigadores em colaboração aplicaram uma metodologia inovadora que integra informação sobre diversas áreas da biologia de um organismo, desde a ecologia e a fisiologia e verificou que a espécie ocupa uma área de distribuição muito mais ampla em território australiano do que a originalmente registada no continente americano.

Estes resultados têm importantes implicações para a definição de estratégias eficientes de gestão e conservação, sobretudo quando se considera a ocorrência de alterações nas condições dos habitats, desencadeadas quer pela ação direta do Homem, quer por alterações climáticas.

A colaboração entre a Universidade do Pará e o CIBIO-InBio tem sido feita desde 2008 e está neste momento consolidada através da criação de um twinlab que permitirá intensificar e expandir a interação entre as equipas de investigação de ambas as instituições.