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08/02/2010
 
 
 
 
 

 
Mulheres morrem mais por cancro do pulmão
2009-11-16

Um estudo promovido por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que a mortalidade por cancro do pulmão em Portugal estabilizou entre os homens, mas aumentou entre as mulheres e deverá continuar a crescer nos próximos dez anos.

Os investigadores do Serviço de Higiene e Epidemiologia da FMUP estudaram a evolução da mortalidade provocada por este tipo de cancro entre 1995 e 2005 em mulheres e homens com idades entre os 35 e os 74 anos. Os dados estudados foram obtidos através da Organização Mundial de Saúde e do Instituto Nacional de Estatística.

Segundo Nuno Lunet, responsável por este trabalho, “são necessárias três a quatro décadas para que as variações no consumo tabágico se reflictam em variações na mortalidade”. Portugal segue uma tendência observada noutros países desenvolvidos do Sul da Europa com declínio no consumo de tabaco no sexo masculino e um aumento no sexo feminino ao longo dos últimos vinte anos. O conhecimento da evolução da mortalidade por cancro do pulmão em ambos os sexos contribui para a classificação correcta de Portugal relativamente à posição ocupada na evolução da epidemia tabágica.

O tabagismo propaga-se como uma epidemia. A comunidade científica conhece bem a evolução normal da chamada “epidemia tabágica”. Numa primeira fase, regista-se uma baixa prevalência de consumo de tabaco, sendo que a morbilidade atribuída ao tabaco é quase nula. Na fase seguinte, cresce rapidamente o número de homens fumadores, seguindo-se um aumento do consumo das mulheres dez a vinte anos mais tarde. O terceiro estádio caracteriza-se por uma diminuição do tabagismo entre os homens, sendo que só entre uma a duas décadas depois a tendência é seguida pelas mulheres. Neste período, a mortalidade por cancro do pulmão estabiliza entre os homens e aumenta no sexo feminino.

A última fase desta epidemia corresponde ao decréscimo da prevalência de fumadores em ambos os géneros. É então atingido o pico da mortalidade por cancro do pulmão, considerando ambos os sexos. Uma a duas décadas depois a mortalidade desce a valores abaixo dos 30%, decrescendo progressivamente, nos homens. Nas mulheres, a mortalidade atribuída ao tabaco sobe rapidamente, alcançando taxas que podem ascender aos 25%.

O primeiro ponto de viragem relativamente à mortalidade provocada por cancro do pulmão em Portugal ocorreu em 1986, momento a partir do qual se registou uma desaceleração no número de óbitos decorrentes deste tumor. Mais tarde, nos anos 90, a diminuição do número de mortes consolidou-se nos homens em todos os grupos etários. No entanto, nas mulheres com idades entre os 35 e os 74 anos, a taxa de mortalidade por cancro do pulmão aumentou de forma constante (1,6%/ano), não dando ainda sinais de abrandamento.

O cancro do pulmão é um dos tumores mais frequentes e mais letais em todo o mundo. Na Europa, em 2006, foi o terceiro cancro mais incidente, estimando-se que tenha contribuído para um quinto das mortes provocadas por cancro. O consumo do tabaco é a principal causa desta doença.

Numa altura em que se assinala o Dia Mundial do Não Fumador (17 de Novembro), os autores do trabalho apelam à necessidade de continuar a “investir em campanhas de cessação tabágica dirigida a ambos os sexos e, especialmente, aos grupos etários mais jovens”. OM/FMUP



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Comentários:

2009-11-16
A seguir ao 25 de Abril, não sei bem se em 1975 ou 1976, passou pela televisão, com bastante regularidade, informação bem detslhada sobre o perigo do tabagismo. Nunca mais vi nada sobre o assunto, o que é pena. Quando mostraram na televião, com detalhe, os malefícios do tabaco, eu já estava a tentar deixar de fumar e acelarei o processo. É bom que estes bons exemplos sejam mostrados de tempos a tempos.
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