Astrónomos portugueses desvendam mundo aquático em novo exoplaneta

Representação artística de um exoplaneta a transitar em frente à sua estrela. (Imagem: ESA/ATG medialab)

Uma equipa de astrónomos provenientes de 11 países, liderados por investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), e com participação de destaque do polo do IA na Universidade do Porto, conseguiram determinar com precisão a massa de dois pequenos exoplanetas a orbitar a estrela HD 106315.

Estes dois planetas, detetados previamente pelo método de trânsito com o satélite Kepler (NASA), permitiram ao investigadores determinar o seu diâmetro. O planeta HD 106315 b tem um período de 9,5 dias e um diâmetro 2,44 vezes maior que o da Terra, enquanto o planeta HD 106315 c tem um período de 21 dias e um diâmetro 4,35 vezes maior que o da Terra.

Para caracterizar um planeta (por exemplo, determinar se é gasoso ou rochoso, ou se tem atmosfera), os investigadores precisam de saber a massa do planeta, obtida a partir de velocidades radiais, para que em conjunto com o tamanho seja possível determinar a densidade.

Susana Barros (IA e Universidade do Porto), a primeira autora do artigo, explica o problema de fazer isso com esta estrela: “Pensava-se que a variabilidade da HD 106315 provocava demasiado ruído para a medição de velocidades radiais, e por isso não seria possível determinar a massa dos dois planetas”.

Com dados de um grande programa de observação com o espectrógrafo HARPS (ESO), a equipa do IA determinou que o planeta HD 106315 b, o mais pequeno dos dois, tem uma massa 12,6 vezes maior que a da Terra, ao que corresponde uma densidade de 4,7 g/cm3. Já o planeta maior, HD 106315 c, tem uma massa 15,2 vezes maior que a da Terra e uma densidade 1,01 g/cm3. Estes valores indicam que o planeta “c” tem um espesso envelope de hidrogénio-hélio, mas investigação detalhada ao planeta “b”, recorrendo a modelos de interiores planetários, indicam até 50% de material rochoso, e entre 9 e 50% de água, ou seja, este é um mundo aquático.

Nuno Santos (IA e Faculdade de Ciências da Universidade do Porto), líder da linha temática “Deteção e caracterização de outras Terras” do IA acrescenta: “Graças a uma estratégia intensiva de observação e um sofisticado método de análise de dados desenvolvido pela nossa equipa, conseguimos determinar a massa destes dois planetas, e a composição do planeta b”.

Susana Barros acrescenta ainda que: “Este sistema planetário demonstra a diversidade da composição destes planetas, e como a estrela que estes transitam é bastante brilhante, será ainda possível estudar as suas atmosferas. Com instrumentação atual é possível observar a atmosfera do planeta c, mas para o planeta b será necessário esperar por instrumentos como o Telescópio Espacial James Webb (JWST), que será lançado em 2019”.

Estudar atmosferas com instrumentos como o JWST (NASA) ou o Extremely Large Telescope (ELT) do ESO, irá permitir uma melhor compreensão acerca da composição do HD 106315 b, já que o planeta está no limite entre os planetas rochosos e os planetas gasosos.