Alumna da FAUP vence Prémio Fernando Távora 2018

Em 1960, Fernando Távora viajou até aos Estados Unidos com o objetivo de “trazer respostas claras para o sistema de ensino de arquitetura em Portugal”. Quase 60 anos depois, foi esse trajeto que inspirou Isa. Clara Neves, antiga estudante da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), a desenhar a proposta vencedora da 13.ª edição do Prémio Fernando Távora, galardão que celebra o legado do histórico arquiteto portuense, distinguindo anualmente a melhor proposta de viagem de investigação em arquitetura.

Eleita por unanimidade pelo júri do prémio, a proposta de Isa. Clara Neves assenta na “construção de uma visão crítica acerca da influência da tecnologia computacional na arquitetura”. Para tal, propõe um itinerário entre a Europa e os EUA, que inclui visitas a instituições, o registo de obras e a visita aos arquivos de vários centros de investigação pioneiros dos anos 60. Pretende-se, deste modo, “registar contextos culturais e tecno-científicos que protagonizaram uma abordagem científica ao projeto de arquitetura e contribuíram para o atual momento de utilização generalizada de métodos computacionais na conceção e produção de arquitetura”, lê-se na sinopse da proposta vencedora.

Para a concretização da proposta, Isa. Clara Neves receberá uma bolsa de viagem no valor de seis mil euros. No currículo ficará ainda um prémio”muitíssimo importante porque valoriza a «experiência» e conhecimento através da vivência da «obra», algo fundamental no âmbito da arquitetura. Tal como Távora afirmava, a viagem como ferramenta de conhecimento. Neste caso, a possibilidade de complementar e enriquecer enormemente a investigação que desenvolvo”, realça a arquiteta.

Na hora de celebrar a distinção, Isa. Clara Neves não esquece também a importância da FAUP no seu percurso. “Deu-me sem dúvida bases de trabalho e capacidade de análise crítica.  Também estimulou uma curiosidade que se vai tornando intrínseca a nós, pela ausência de respostas óbvias ou «sebenteiras», que noutras instituições se impõem. Tive muito bons professores, alguns com quem ainda hoje comunico e  troco ideias, e outros com quem já não mantenho contacto mas que ecoam em muitos momentos”, confessa, para logo destacar “a influência de duas figuras emblemáticas da Faculdade: Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura”.

O resultado da viagem de Isa. Clara Neves será apresentado a 1 de outubro, Dia Mundial da Arquitectura, numa conferência que servirá também para lançar a 14.ª edição do Prémio.

O anúncio da proposta vencedora do prémio Fernando Távora 2018 teev lugar no passado dia 5 de abril, numa cerimónia que decorreu  na Câmara Municipal de Matosinhos. Entre os membros do júri destaca-se o nome Manuel Sobrinho Simões, investigador e Professor Emérito da U.Porto, que apresentou uma conferência com o tema “A Viagem”.

Sobre a vencedora

Licenciada em Arquitectura pela FAUP (2004) e doutorada pela FAUL (2015). Isa. Clara Neves (1980) foi colaboradora de Eduardo Souto de Moura entre 2007 e 2010. Pelo meio, fundou a revista Nexus e é autora de artigos publicados em revistas e livros de referência internacional no domínio da arquitetura.

Atualmente, é investigadora de Pós-Doutoramento no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e pelo College of Arts and Architecture at The Pennsylvania State University (EUA), onde tem focado os seus estudos na área da teoria da arquitectura moderna e contemporânea dentro de um domínio computacional, com ênfase sobre alguns dos contextos culturais, históricos e tecnológicos que influenciaram o surgimento de uma prática computacional na arquitectura, que se tem vindo a construir ao longo dos últimos 60 anos.

Sobre o Prémio Fernando Távora

Organizado pela Ordem dos Arquitectos  – Secção Regional do Norte da (OASRN), em parceria com a Câmara Municipal de Matosinhos e a Casa da Arquitectura, o Prémio Fernando Távora  é atribuído anualmente a arquitetos membros da Ordem dos Arquitectos. O objectivo é incentivar e valorizar a Viagem de Investigação enquanto instrumento de formação do arquiteto, partindo para isso do exemplo de Távora que, enquanto arquitecto e pedagogo, viajou pelos vários continentes para estudar a arquitectura de todas as épocas, tendo influenciado sucessivas gerações de arquitetos.

Em edições anteriores, venceram o Prémio, entre outros, os antigos estudantes da FAUP Maria MoitaSidh MendirattaPaulo Moreira e André Tavares, e as investigadoras do CEAU-FAUPSusana Ventura e Maria Neto.