Academia das Ciências de Lisboa distingue investigação da U.Porto

Jorge Ferreira (i3S / FMUP))

Jorge Ferreira está a iniciar a sua linha de investigação independente no i3S, relacionada com os mecanismos que regulam a entrada das células em mitose. (Foto: i3S)

Os investigadores Jorge Ferreira, do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), e Paula Gonçalves, da Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP), foram galardoados com a primeira edição do Prémio Montepio, um galardão atribuído pela Academia das Ciências de Lisboa (ACL) para distinguir a excelência na investigação científica desenvolvida em dissertações de Doutoramento em universidades portuguesas, na área das Ciências Exatas e Naturais.

Denominada «Regulação espacial e temporal da função dos microtúbulos pelas proteínas “End Binding”», a tese de Jorge Ferreira incide sobre o estudo dos microtúbulos – estruturas que existem no interior das células e são essenciais para manter a arquitectura das mesmas, bem como para diversos processos celulares, tais como a diferenciação, mobilidade e divisão. Nesta tese o investigador estudou o papel regulatório das proteínas “End-Binding” (que se ligam às extremidades dos microtúbulos) no comportamento dos microtúbulos durante os processos de divisão e mobilidade celulares. A ausência destas proteínas leva, por exemplo, ao aparecimento de defeitos durante a divisão das células, conduzindo eventualmente à sua morte.

Atualmente, a investigação de Jorge Ferreira centra-se em compreender de que forma os microtúbulos controlam a mitose (divisão celular) e perceber a relevância deste processo em casos de cancro, uma patologia que resulta frequentemente de divisão celular aberrante. Este projeto de investigação é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Para o investigador doutorado em Biomedicina, o Prémio Montepio representa um reconhecimento do trabalho desenvolvido e também um incentivo para o futuro: “Quando trabalhamos em ciência, move-nos a curiosidade e a vontade de saber mais. Durante o doutoramento estamos totalmente focados no trabalho, pelo que raramente se ocupa tempo a pensar em reconhecimentos ou prémios. No entanto, é gratificante perceber que o trabalho que fazemos é considerado relevante e é reconhecido pela comunidade científica”, realça Jorfe Ferreira, que está a iniciar a sua linha de investigação independente no i3S, relacionada com os mecanismos que regulam a entrada das células em mitose.

Paula Gonçalves (FCUP)

Paula Gonçalves desenvolve investigação no Instituto de Ciências da Terra – Polo da Universidade do Porto. (Foto: DR)

Já a tese de Paula Gonçalves tem como título “Characterization of organic facies and identification of potential source rocks in Jurassic sedimentary sequences of the Lusitanian Basin” e apresenta uma caracterização de rochas geradoras e a avaliação do seu potencial de geração de hidrocarbonetos em algumas das sub-bacias da Bacia Lusitânica. Para o efeito, a investigadora realizou um estudo comparativo de quatro poços de sondagem, do qual resultou a recolhe e análise de 189 amostras (cuttings) através de técnicas de petrologia orgânica e geoquímicas para determinação do conteúdo e tipo da matéria orgânica dispersa nos sedimentos Meso – Cenozóicos (maioritariamente Jurássicos).

“A Bacia Lusitânica é uma das principais bacias sedimentares portuguesas e apresenta potencial para a geração e acumulação de hidrocarbonetos (rocha mãe, reservatórios e armadilhas petrolíferas). O registo sedimentar da Bacia Lusitânica, depositado entre o Triássico Superior e o fim do Cretácico (sobretudo durante o Jurássico), está associado com a abertura do Atlântico Norte. Do ponto de vista estratigráfico e sedimentológico esta Bacia já foi intensamente estudada, no entanto estudos sobre o tipo, o conteúdo e a maturação da matéria orgânica das suas rochas mãe ainda são escassos”, explica Paula Gonçalves no resumo da tese.

Desenvolvida no âmbito do Doutoramento em Geociências – Especialidade Petrologia e Geoquímica da Faculdade de Ciencias, o trabalho contou com a orientação de Deolinda Flores, Professora Catedrática e investigadora do  Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território da FCUP.

A primeira edição do Prémio Montepio, no valor de 10 mil euros (a dividir ex aequo pelos dois investigadores) e financiado pelo mecenato do Montepio Associação Mutualista, destinava-se a teses desenvolvidas nos anos letivos 2012/2013 e 2013/2014, na área das Ciências Exatas e Naturais. O galardão vai ser entregue no dia 7 de julho, no Salão Nobre da ACL.

Sobre Jorge Ferreira

Natural de S. Pedro da Cova, Gondomar, Jorge Ferreira completou a licenciatura em Bioquímica na Universidade do Porto e o mestrado em Oncologia Molecular na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, integrado no Instituto de Histologia e Embriologia Abel Salazar. Em 2013 concluiu o doutoramento em Biomedicina pela FMUP sob a supervisão de Helder Maiato, integrado no laboratório Chromosome Instability & Dynamics do IBMC. Atualmente, é Professor Auxiliar na Faculdade de Medicina da U.Porto.

Sobre Paula Gonçalves

Paula Alexandra Gonçalves nasceu em Bragança a 12 de janeiro de 1975 e é licenciada em Biologia e Geologia (ensino de) pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (1998), mestre em Vulcanologia e Riscos Geológicos pela Universidade dos Açores (2006) e doutorada em Geociências – especialidade de Petrologia e Geoquímica, pela Universidade do Porto e Universidade de Aveiro (2014). Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Petrologia Orgânica, Palinofácies e Geoquímica Orgânica. Atualmente desenvolve investigação no Instituto de Ciências da Terra – Polo da Universidade do Porto