1 milhão de euros para combater bactérias resistentes a antibióticos

Grupo de investigação liderado por Nuno Azevdo (ao centro) tem-se dedicado a estudar métodos de tratamento antibacteriano através do uso de mímicos de ácidos nucleicos. (Foto: FEUP)

Uma equipa de investigação liderada por Nuno Azevedo, professor no Departamento de Engenharia Química e investigador do Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) acaba de receber 1 milhão de euros de fundos comunitários no âmbito do programa H2020, para o desenvolvimento de novas terapêuticas para inibir a resistência de bactérias a antibióticos.

Esta é uma linha de investigação que assume particular importância numa altura em que as notícias de surtos de bactérias resistentes a antibióticos são cada vez mais recorrentes. Isto porque o ritmo de aparecimento destas estirpres resistentes é bem maior do que o desenvolvimento de novos antibióticos.

Este grupo de investigadores do LEPABE tem-se dedicado a estudar e a desenvolver métodos alternativos de tratamento antibacteriano através do uso de mímicos de ácidos nucleicos. Qual a principal vantagem? Trabalhar com moléculas que se comportam da mesma maneira que o ADN e ARN normal presente em todos os organismos, mas que não são degradadas por enzimas bacterianas. Isto permite aos investigadores “desenhar moléculas compostas por estes mímicos que se conseguem ligar ao ADN ou ARN do microorganismo em locais específicos que provocam a inibição da expressão de determinados genes essenciais à sobrevivência do microorganismo, levando por consequência à sua morte”, explica Nuno Azevedo.

Ao mesmo tempo, os investigadores da FEUP estão também empenhados em desenvolver sistemas de entrega “destes mímicos” para o interior dos micro-organismos recorrendo ao uso de nanopartículas. Trata-se de uma abordagem que tem sido utilizada para o tratamento de células cancerígenas, mas cuja aplicação em micoorganismos não foi ainda testada, “o que poderá representar uma importante alternativa ao tratamento tradicional com antibióticos neste tipo de infeções”, admite o investigador responsável por este estudo.

As expetativas são elevadas: por um lado há a possibilidade de consolidar a posição da FEUP nesta área emergente que é o tratamento de infeções recorrendo a ácidos nucleícos; e também pelo facto de o projeto contar com a colaboração de dois dos mais respeitados grupos de investigação internacionais na área: o Nucleic Acid Centre of SDU na Dinamarca, líder mundial no desenvolvimento de mímicos de ácidos nucleicos, tendo inventado um dos mímicos que atualmente apresentam maior potencial neste tipo de abordagens; e o Laboratory for General Biochemistry and Physical Pharmacy da Universidade de Ghent, reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho em nanotecnologia, nomeadamente no desenvolvimento de estratégias para a entrega de ácidos nucleícos em células animais.